Letra H do nosso abecedário – Horas da Torre

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HORAS CERTAS NA TORRE DO RELÓGIO

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A presente fotografia mostra-nos a fábrica de relógios L.D: Odobey situada em Morez cidade donde veio o relógio da nossa torre.

Quando era criança recordo-me de que a maior parte dos adultos se «guiavam» pelas horas do chamado relógio da Praça ou seja, do relógio existente na Torre ao lado da Câmara Municipal.

Nessa altura talvez porque o trânsito não era muito, havia um maior silêncio na vila e daí certamente o facto de se ouvirem as badaladas da Torre do Relógio em qualquer rua onde nos encontrássemos.

Na Monografia do concelho de Loulé de Ataíde de Oliveira e em relação a este tema encontrei…” … por volta de 1803 …1804, o Juiz de Fora, que era Presidente da Câmara, mandou levantar sobre o arco da praça uma torre para o relógio. O sino pequeno é de 1805 e o grande de 18o6 “.

Em conversa com um amigo há uns anos atrás contava-me ele que este nosso relogio

teria sido comprado a uma fábrica francesa situada na vila de Morez. Nesta vila chegaram a existir 17 empresas de relojoaria do tipo Morez e entre 1860 e 1880 foi quando aconteceu o auge das vendas para todo o mundo. Cerca de 80.000 unidades por ano. Uma forte concorrência e uma mudança nos gostos dos compradores conduziram a uma redução drástica a partir da 1ª Guerra Mundial.

Por acaso, há cerca de vinte anos o Grupo de Teatro Laboratório de Faro de que eu fazia parte, visitámos e representámos nessa pequena e bela cidade francesa ,desconhecendo nessa altura que o velho relógio da Torre da Praça que continuamos a escutar, foi fabricado algures naquela bela localidade do Jura francês.

(Palma: texto e fotog.)

13 comentários a “Letra H do nosso abecedário – Horas da Torre

  1. Bom dia Palma; e letra a letra, lá se vai o abecedário, como se “foram” as horas da Torre do Relógio, já “ninguém as ouve”… eu por exemplo, há muitos anos que não uso relógios, os telemóveis, computadores, etc. vieram substitui-los. Lembro muito bem, no silêncio na Vila, (não havia tanto ruído),rsrs… ouvir a minha Mãe dizer-me… «despacha-te anda, já deram x horas no Relógio da Praça»!… morávamos nós na R. Martim Moniz 55, frente à ex Horta do Inês… E quando eu mais o amigo Baptista andava-mos para os lados do Cemitério e ouvia ela chamar-me?… tinha cá uns pulmões, ou a Vila, estava mesmo mergulhada num silêncio de Ouro… mesmo assim, estou em crer que os de mais perto, e os distraídos, ainda se regulam pelo velhinho Relógio.\\\ Às 17,45 h., não está muito calor para andar a fotografar Relógios???rsrs. L.F.

  2. Gastei uma hora pensando em um verso
    que a pena não quer escrever.
    No entanto ele está cá dentro
    inquieto, vivo.
    Ele está cá dentro
    e não quer sair.
    Mas a poesia deste momento
    inunda minha vida inteira.

    Carlos Drummond

  3. Olá Luís Furtado: Espero que a cenografia o tenha levado ao Egipto este fim de semana mesmo sem Cleopatra. Então a obra vai de vento em popa ?\\\ Quanto ao nosso velho relógio da Torre hoje já poucos dão por ele. As horas no meio deste bulício de carros sobre carros e motas sobre motas e o mais que por aí anda não as deixa escutar. Sómente na noite… lá pelas onze… meia noite desde que estejamos perto como quando acontece quando estamos nos ensaios aqui mesmo em frente aí sim. E como soam bem aquelas horas da meia noite.\\\ Nesse tempo é como você diz, as maes chamavam pelos filhos às portas
    das suas casas e eles ouviam-nas mesmo estando muito longe como era o vosso caso . O Baptista bem podia contar aqui umas coisas desse tempo mas…não aparece. Abraço amigo -Palma

  4. Olá Palma,

    Vamos seguindo com saudade o Abecedário da nossa cidade… Sempre vai dando para matar saudades das gentes e dos locais que, agora, mais que nunca nos fazem tanta falta…
    Li no comentário ao nosso blog que o Di Meola foi bom e que é simpático (gostaria de o ter visto; o tipo é brutal, dos melhores de sempre).

    Um grande abraço e beijinhos aqui da Ilha verde
    Benjamin e Carla

  5. Caros amigos Carla e Benjamim, são sempre benvindos à nossa sala da Louletania. Quando se está longe, eu sei que qualquer coisa que diga respeito à nossa terra, toca-nos mais do que quando estamos por aqui. O Benjamim iria ter gostado do Di Meola. Mas não se pode estar na Europa do Norte e em Loulé ao mesmo tempo …rssss. Outras oportunidades surgirão. Espero que continuem bem apesar de longe. Beijinho e abraço. Palma

  6. E o destino marca a hora,rsrs. Notícia em primeira mão pra Louletania. Depois de um longo debate com a Ministra da Cultura, chegou-se finalmente a um acordo com contrapartidas iguais para ambas as partes, e assim, ficou determinado que a exposição do ilustre e mui nobre cidadão Louletano Luís Furtado, se realizará no dia 10 de Outubro de 2009. Ficou ainda assente que a retrospectiva ficará para uma outra altura, no entanto, em conversa com o pintor, confessou-me que levará algumas velharias,rsrs. Inté. L.F.

  7. Bravo Luís!
    Para quê mostrar tudo de uma vez se é melhor ir mostrando?
    Se forem temáticas (ou por técnicas) será melhor!
    Fico muito satisfeito e renova a oferta de ajuda naquilo que fôr de minha competência.

  8. Luís: É uma dívida que têm para consigo. Já devia ter sido feita há muito tempo e vai mesmo calhar na véspera de eleições hem ? Mais um pouco seria mesmo na hora da abertura das urnas com você pintando as caras dos candidatos. Seria uma boa forma de publicidade . a originalidade é que está a diferença. Já escolheu o que vai trazer ? Abraço – Palma

  9. As horas, a espera, o tempo. Nesta pequena quadra tão bonita do Fernando Pessoa aproveito para dedicar a alguém que está algures em Paris cidade de muitas hortas.

    Duas horas te esperei.
    Duas mais te esperaria.
    Se gostas de mim não sei…
    Algum dia há de ser dia …

    Milla

  10. Viva Palma; em dia de meditação, pode ser que as pessoas meditem se devem ou não comprar uns quadritos,rsrs. Em princípio levarei uma série de Aguarelas, (maioria), com uma mostra de óleos, uns prontos, outros por acabar?… depois se verá. Tá na hora da labuta… PS. não tenho jeito para fazer caricaturas de políticos,rsrs. Inté. L.F.

  11. Palma … e diga lá que não se lembra desta? … o certo é que grande parte dos relógios da torre das igrejas ficam parados longo tempo …

    Reloj no marques las horas,
    por que voy a enloquecer,
    ella se irá para siempre
    cuando amanezca otra vez.

    No más nos queda esta noche
    para vivir nuestro amor,
    y tu tic tac me recuerda
    mi irremediable dolor.

    Reloj detén tu camino,
    por que mi vida se apaga,
    ella es la estrella
    que alumbra mi ser,
    Yo sin su amor no soy nada.

    Detén el tiempo en tus manos,
    haz esta noche perpetua,
    para que nunca se vaya de mi,
    para que nunca amanezca.

    Calor q.b. … também aí pela louletania … constatei in locco há bocado uff Abraço

  12. Luís: Tem razão. Como é dia de meditar talvez algum amante da pintura se decida pelo menos por um.\\ Não tem jeito para pintar politicos..rsssss olhe que se calhar seriam bons fregueses…rsss. E agora vou responder à Lila pois aquela musica é de um tempo muito bonito musicalmente falando..rs. Abraço – Palma

  13. Lila: Então não me havia de «alembrar ? E lembro-me perfeitamente de um tal António Prieto cantar esta cancion. E que bien ! \\ A sua lembrança vem mesmo a calhar com o nosso relógio da Torre que passa quase pelo esquecimento nos dias de hoje. E eu gosto de ouvir relógios a dar horas sejam de sala ou de torre. O que eu detesto são aquelas gravações tipo «chinês» que agora colocam nas aldeias com o hino religioso e tudo. É detestável. E podia-se passar sem aquilo. Palma

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