LÍDIA JORGE homenageada por muitos prodígios !

A escritora Lídia Jorge está a ser homenageada no concelho de Loulé, de onde é natural,

com uma grande exposição que nos mostra, não só a sua obra literária ao longo dos últimos 30 anos, como também momentos importantes da sua vida familiar, nomeadamente da sua juventude.

Para além da exposição que referimos e que pode ser vista no Convento de Stº António, também ocorrerão até ao próximo dia 31 de Março, conferências, exibição de filmes, concerto pela Orquestra do Algarve e a apresentação da peça de teatro “ O Dia dos Prodígios” pelo “ Teatro da Trindade” no Cine-Teatro Louletano em 27 de Março.

Fica aqui a sugestão a todos os louletanos e não só, que estejam atentos à programação

de homenagem à nossa querida e ilustre escritora louletana.

Palma

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Lídia Jorge nasceu em Boliqueime, concelho de Loulé em 1946 e diáriamente fez o percurso Boliqueime – Faro, através da C.P. completando os estudos secundários no Liceu Nacional da capital do Algarve.

No convívio com os seus mestres, ganha o gosto pelas letras e pelo teatro. Depois de concluída a sua licenciatura, em Lisboa, Lídia Jorge partiu para a diáspora, rumo a África, primeiro Angola e por último Moçambique.

Para esta escritora o Algarve é o início do ciclo da vida; não admira que o seu dia dos prodígios, aqui vivido, observado, reflecte a sua escrita.

O continente Africano iria contribuir para, depois do Dia dos Prodígios e Casa das Merendas, nesse dizer algarvio, Para Notícias da Cidade Silvestre, de seguida, a Costa dos Murmúrios e aí relembrar os meandros da guerra colonial, na sua urgência em registar, com medo que o futuro esqueça, essa vivência real de um passado trágico, heróico e recente.

A propósito de África, Lídia diz ter-se feito pessoa crescida e sentir aí o princípio do mundo ou o princípio de contar. Surgiam assim; A Última Dona, A Instrumentalista, O Conto do Nadador e por fim o Jardim sem Limites. O teatro é outra vertente da genial algarvia; A Maçon é a sua primeira incursão na dramaturgia, no Teatro Nacional D. Maria II.

Lidia Jorge ganhou em 2000, o prémio europeu Jean Monnet.

( In Agenda Municipal de Loulé)

Foto: Obtida na Exposição do Convento de Stº António – Palma

8 comentários a “LÍDIA JORGE homenageada por muitos prodígios !

  1. Parabéns à grande Lídia Jorge pelos seus 30 anos de grandes escritas. Loulé homenageia e é justo que o faça, mesmo sabendo-se que ela não é uma mulher das Direitas. Hugo

  2. Deixo aqui um belo poema de Lídia Jorge já que habitualmente se fala mais da sua prosa.

    Fado do retorno – Lídia Jorge
    LLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLLL

    Amor, é muito cedo

    E tarde uma palavra

    A noite uma lembrança

    Que não escurece nada

    Voltaste, já voltaste

    Já entras como sempre

    Abrandas os teus passos

    E paras no tapete

    Então que uma luz arda

    E assim o fogo aqueça

    Os dedos bem unidos

    Movidos pela pressa

    Amor, é muito cedo

    E tarde uma palavra

    A noite uma lembrança

    Que não escurece nada

    Voltaste, já voltei

    Também cheia de pressa

    De dar-te, na parede

    O beijo que me peças

    Então que a sombra agite

    E assim a imagem faça

    Os rostos de nós dois

    Tocados pela graça.

    Amor, é muito cedo

    E tarde uma palavra

    A noite uma lembrança

    Que não escurece nada

    Amor, o que será

    Mais certo que o futuro

    Se nele é para habitar

    A escolha do mais puro

    Já fuma o nosso fumo

    Já sobra a nossa manta

    Já veio o nosso sono

    Fechar-nos a garganta

    Então que os cílios olhem

    E assim a casa seja

    A árvore do Outono

    Coberta de cereja.

  3. Acho que vale a pena ler este pequeno texto de Eduardo Lourenço sobre o ” Cais das Merendas”. Para quem não leu este livro é tempo de o fazer ou oferecer neste Natal:
    Eduardo Lourenço escreveu sobre O Cais das Merendas:

    “No momento em que Portugal abandonava as últimas ilusões épicas e o mundo nos descobria como paraíso turístico, Lídia Jorge, cronista minuciosa e irónica da metamorfose do nosso secular “cais das merendas”, em vitrina cosmopolita, inventou-nos uma singular epopeia. A epopeia virtual, cândida, perversa e cómica – com uma gota de sangue por cima – de quem, daqui em diante, habitará a História dos Outros como se fosse nossa. Deste modo, O Cais das Merendas não é apenas um dos mais originais romances do pós-25 de Abril. É uma viagem única, uma autêntica radiografia de um mundo – o nosso – colhido ao mesmo tempo na encarnação proliferante do nosso imaginário como retrato da nova quotidianidade nacional e como tempo esperado de todos os cais”.

  4. Bom dia Palma; com o pouco tempo, e a estadia atribulada como se deu conta, nem tive um bocadinho de tempo para visitar a exposição da Lídia Jorge com muita pena minha… ainda cumprimentei o marido o que já não foi nada mau,rsrs. \\\ Nem imagina o nevoeiro que apanhámos para o final da viagem e como costuma dizer-se, nem se via um palmo à frente do nariz ao ponto do carro não andar mais de 30 K. hora, mesmo assim com todas as cautelas, livra,rsrs. Hoje está bastante frio… meu rico Algarve,rsrs. Inté. L.F.

  5. Luís; ainda bem que tudo correu bem! Desculpa mas mão consegui safar-me para o almoço! O “lindo” chegou bem? Quem sofreu o incómodo?
    Até breve e tem calma, que a “coisa” vai!

  6. Caros amigos : Lídia Jorge é uma escritora nossa que já chegou a variados pontos do mundo graças à sua
    sensibilidade e ao seu estilo muito próprio de escrita. É mais que merecida a homenagem de todos os louletanos.

  7. Luís: Afinal, ultrapassado o nevoeiro que dividia o Algarve do resto do rectângulo eis que chegou são e salvo o pintor. Ainda bem. Depois de algumas nuvens ameaçadoras certamente o azul voltará aos pinceis e à sua paleta. Espero bem que sim..rsss.

  8. Ainda não li “A Manta do Soldado” mas deixo aqui um pequeno apontamento extraído do Blog O Sorriso de Medusa e que me despertou para a leitura daquele livro de Lídia Jorge:
    “Algo que impressiona na leitura é a capacidade de Lídia Jorge de esculpir o tempo da narrativa, de nos enredar neste tempo. Ler A manta do Soldado é ser levado a caminhar na lentidão de seu texto. Melancólico, fantasmático, feito de percepções e apreensões, pequenas visões, todas construídas no corpo de um tempo que está para ruir (a casa – a narrativa- a história de seu pai), porque se arrastou demais. É um livro para ser lido, uma autora para se encontrar e revisitar o quanto antes.”

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