Loulé e a sua antiga Marcha de Carnaval

Na década de cinquenta, o Maestro Frederico Valério foi convidado pela CML a escrever

uma marcha dedicada ao nosso Carnaval, que já era famoso em todo o país na altura . E assim aconteceu. Valério que foi um dos maiores compositores da música ligeira portuguesa, convidou Jerónimo Bragança para escrever a letra e a Rainha da Rádio de então, Maria de Lurdes Resende, para a interpretar.

Julgo que a edição encomendada foi muito reduzida e os exemplares existentes nos dias de hoje serão muito poucos.

Para os que ainda se recordam, mas também para os que nem sequer ouviram falar de tal facto, aqui deixamos a letra da famosa marcha do Carnaval de Loulé podendo-se ver na foto o Maestro Frederico Valério ao centro.

 

Font: Por gentileza de Luís Guerreiro.

11 comentários a “Loulé e a sua antiga Marcha de Carnaval

  1. Foi grande o Maestro e compositor Frederico Valério. Não conheci esta Marcha mas conheço muitos dos sucessos de Amália e outros o que comprova que foi uma personalidade da musica portuguesa.

  2. De Frederico Valério e Amadeu do Vale transcrevi a letra do Fado do Ciume. Obra lindissima do grande Maestro.
    Se não esqueceste
    o amor que me dedicaste
    e o que escreveste
    nas cartas que me mandaste
    esquece o passado
    e volta para meu lado
    porque já estás perdoado
    de tudo o que me chamaste.

    Volta meu querido
    mas volta como disseste
    arrependido
    de tudo o que me fizeste,
    haja o que houver
    já basta p’ra teu castigo
    essa mulher
    que andava agora contigo.

    Se é contrafeito
    não voltes toma cautela
    porque eu aceito
    que vivas antes com ela
    pois podes crer
    que antes prefiro morrer
    do que contigo viver
    sabendo que gostas dela.

    Só o que eu peço
    é uma recordação
    se é que mereço
    um pouco de compaixão,
    deixa ficar
    o teu retrato comigo
    p’ra eu julgar
    que ainda vivo contigo.

  3. Reconhecido como um dos mais inspirados de todos os compositores da música Ligeira portuguesa, Frederico Valério é sobretudo recordado pelas suas muitas composições para Amália. Não é surpreendente, já que foi ele o primeiro a escrever especificamente para ela melodias que exploravam as suas extraordinárias capacidades vocais. Mas, apesar de Ai Mouraria, Fado Malhoa ou Sabe-se Lá, apesar da própria Amália sublinhar a importância que o compositor teve na sua carreira e de ter sido para ela que escreveu alguns dos seus momentos de maior inspiração, a sua carreira não se limitou a Amália.
    Nascido em Lisboa em 1913, um de quatro irmãos, Valério mostrou interesse pela música e pela composição aos treze anos. O seu pai marceneiro – caso raro! – não se opôs ao desejo do jovem, mas impos-lhe apenas que terminasse o curso comercial, só depois se matriculando no Conservatório.
    Estreou-se no teatro no início dos anos trinta, tornando-se rapidamente num dos primeiros compositores de canções e fados para revistas, género onde se estreou em 1934, na revista A Pérola da China. O seu primeiro grande êxito data logo de 1935, As Carvoeiras, criado por Maria de Neves em Milho Rei. Ensaiou igualmente a opereta (em A Rosa Cantadeira, por exemplo), e escreveu também para cinema (Capas Negras, Madragoa).
    Foi um dos poucos compositores portugueses a obter sucesso internacional; deveu-se-lhe todo um musical da Broadway (On with the show, estreado em 1954) e muitos dos seus temas correram mundo (cite-se apenas uma delas: Partir, Partir, divulgada internacionalmente como Don´t Say Goodbye). Durante os anos quarenta e cinquenta, viveu entre Portugal e os Estados Unidos, regressando definitivamente a Portugal em 1955, voltando costas ao êxito que obtivera no mais exigente dos mercados da música.
    Como sinal adicional da sua modéstia, Valério nunca procurou explorar áreas mais tradicionais da composição, preferindo desde sempre dedicar-se apenas à composição para teatro musicado e popular.
    Faleceu em Lisboa em 1982, três anos depois do seu casamento, em segundas núpcias, com a actriz Laura Alves.

    Biografias

  4. Mais um post oportuno do autor do blogue. Parabéns!

    Três figuras de primeiríssimo plano reunidas nesta Marcha, decerto lindíssima, com um poema ligeiro e cativante, e revelador de conhecimento de “causa” (outros tempos, em que a cultura não era palavra vã…).

    Gostei de ler o apontamento do comentador “Biografias”, que nos traz uma sinopse, bem elaborada, da vida do grande Maestro, decerto desconhecida da maioria dos portugueses.

    Um pedido, ao dono do blogue e autor do post, ou a quem possa dar resposta: descubra-se publique-se a partitura da MARCHA! Ela há-de estar por aí… algures!

    P-S. A personagem à esquerda do Maestro Frederico Valério parece ser o escritor e musicólogo louletano Pedro de Freitas…

  5. Podiam fazer uma nova versão desta marcha. Seria interessante reviver o passado mas co artistas actuais.

  6. FADO DO CIUME de Frederico Valerio e Amadeu do Vale
    Se não esqueceste
    o amor que me dedicaste
    e o que escreveste
    nas cartas que me mandaste
    esquece o passado
    e volta para meu lado
    porque já estás perdoado
    de tudo o que me chamaste.

    Volta meu querido
    mas volta como disseste
    arrependido
    de tudo o que me fizeste,
    haja o que houver
    já basta p’ra teu castigo
    essa mulher
    que andava agora contigo.

    Se é contrafeito
    não voltes toma cautela
    porque eu aceito
    que vivas antes com ela
    pois podes crer
    que antes prefiro morrer
    do que contigo viver
    sabendo que gostas dela.

    Só o que eu peço
    é uma recordação
    se é que mereço
    um pouco de compaixão,
    deixa ficar
    o teu retrato comigo
    p’ra eu julgar
    que ainda vivo contigo.

  7. Irrita-me que em Porrtugal de uma ponta à outra só se passe musica brasileira apesar dela ser realmente única no mundo. Mas temos a nossa e também se pode dançar ao seu ritmo. Câmaras Municipais deste país escolham a musica do Brasil mas igualmente a portuguesa.

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