Mais um amigo que partiu…

Partiu o João. Assim , de um momento para o outro, vitíma de um estúpido acidente dos que infelizmente acontecem tantas e tantas vezes . Andámos juntos na Escola Primária da Rua Ancha e na da “ Barreira”.

E ao longo da vida fomo-nos encontrando por aí , sobretudo porque como técnico de farmácia o João era um conselheiro, quase médico… daqueles que até sabem informar que este medicamento surte mais efeito do que aquele já que os anos trazem o saber, além dos cabelos cada vez mais cinzentos e uma ou outra dor no braço ou na perna.

Tinha combinado com ele ampliar a fotografia que hoje aqui vos deixo e entregar-lha por estes dias.

Foi tirada pelo nosso professor da 4ª Classe já lá vão umas décadas e é a única que possuo de toda a instrução primária..

Junto também aqui fica “ Canção de Infância “ uma canção feita por outros amigos nos anos sessenta e que pretendia contar nalguns versos como havia sido a nossa infância ( Autoria: António Clareza, Paulo Lopes, Sequeira Afonso e cantada por José Cheta da Silva ).

Uma humilde homenagem de saudade.

Palma

17 comentários a “Mais um amigo que partiu…

  1. Que bela canção de homenagem a todas as nossas infâncias. Como os anos passam e como terminam as vidas de alguns de nós. Mas ninguém tem o poder de adivinhar. Raul

  2. Reconheço algumas pessoas dessa foto da Primária. Esta pequena homenagem ao João é merecida. Uma vida inteira na farmácia quantas ajudas e conselhos foram dados por ele a tantos de nós. Que descanse em paz.

  3. Amigo Palma,

    Quando recuamos no tempo olhando para fotos da juventude, dá-me engulhos porque, na época, parecíamos imortais!
    Afinal, estamos expostos e vulneráveis de todas as formas.

    Apresento-lhe as minhas sentidas condolências, porque um amigo de um amigo meu, meu amigo é também!
    E, mesmo que não fosse assim, já bastam os problemas de saúde para nos descartar desta vida, quanto mais mortes em coisas acidentais (…)

    Um abraço solidário do
    César Ramos

  4. Palma, a morte é uma coisa estúpida, a do João ainda é mais estúpida!… era o amigo confidente conselheiro, por experiência, ou por saber através dos utentes da evolução ou não de certos medicamentos ele aconselhava tomar o mesmo mas de outra marca… comigo aconteceu ao pedir-lhe um receitado pela médica… «não tomes esses, toma antes estes, são mais eficientes» o João tinha razão… confirmado mais tarde pela médica que deu a mão à palmatória e passei a medicar-me com a opinião deste nosso amigo e com melhores resultados… obrigado João, descansa em paz. Inté. L.F.

  5. Gostei sim senhor! … já agora posso cuscar? o Palma é o do lacinho ? só diz se quiser …

  6. Cesar Ramos: Lembro-me perfeitamente do que está a referir. Em, miúdo olhava para a malta dos cinquenta como se fosse uma coisa que estivesse tão distante que nunca passaria por mim….. e afinal enganámo-nos. E cada vez temos mais a certeza que estamos todos sempre sujeitos a tudo… Abraço amigo – Obrigado – Palma

  7. Luis Furtado: Mais uma prova que os anos nos trazem sabedoria apesar de alguns nos chamarem cotas por pura ignorância. Ainda há pouco lia que o Saramago tinha uma admiração especial pelo seu avô, um velhinho que certamente nem chegou a andar na escola mas tinha a sabedoria que os anos lhe deram. Abraço – Palma

  8. Liliana: Não é cusquice da sua parte mas sim curiosidade como aliás acontece comigo quando vejo fotografias de há uns anos atrás. Ao lado do João, na ponta esquerda está o Simões da Espingardaria e eu sou o que está por detrás do Simões um pouco meio escondido….não sei já se seria por timidez…ou por outroo motivo qualquer – BOa tarde para a capital do Reino dos Algarves. Palma

  9. Esta nossa chamada vida, não é mais do que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequeno, outros mínimo: De utero translatus ad tumulum: Mas ou o caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo; como é círculo de pó a pó sempre e em qualquer parte da vida somos pó. Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele, tanto mais se chega para ele: e quem, quanto mais se aparta, mais se chega, não se aparta. O pó que foi nosso princípio, esse mesmo e não outro é o nosso fim, e porque caminhamos circularmente deste pó para este pó, quanto mais parece que nos apartamos dele, tanto mais nos chegamos para ele: o passo que nos aparta, esse mesmo nos chega; o dia que faz a vida, esse mesmo a desfaz; e como esta roda que anda e desanda juntamente, sempre nos vai moendo, sempre somos pó.

    Padre António Vieira, in “Sermões”

  10. Amigo Palma,

    Passo todos os dias umas horas acompanhando a minha mãe.

    Porque a achei ontem um pouco distante, resolvi hoje (1 de Julho) ir mais cedo para junto dela, e tentar aperceber-me das coisas.
    Pior não estava, e dei-lhe uns caracóis à boca, com sumo, que apreciou. Passado mais tempo, uma empregada dava-lhe o jantar enquanto eu aproveitei para me despedir e ir também comer.

    Disse-lhe adeus… e ela respondeu-me; pela última vez!

    Mal acabei de jantar tocou o telefone e senti um inexplicável aperto em mim!… Era o telefonema a dizer que faleceu nos braços de quem estava a cuidar dela.

    Pouco faltou para eu ainda estar presente.Foi uma coisa súbita, dizem que sem sofrimento, mas deixou de viver…!

    Fiquei mais pobre, porque ela era como se fosse a minha irmã mais velha, como confidente (…)

    Eu tinha posto a foto dela no meu post do Dia da Mãe…

    Um abraço Palma
    César Ramos

  11. Palma; curioso este depoimento do César sobre o falecimento de sua Mãe… curioso por eu ter 3 casos na família idênticos, Avô, Filha e Mãe, que,(embora debilitadas), comeram com satisfação a sua última refeição horas antes de falecerem… tenho um amigo pintor que diz; «a última coisa que nós perdemos na vida é o paladar»!… terão prazer de senti-lo, ou será uma despedida por serem os mais chegados a dar-lhes um último sopro de vida? Curiosidades e mistérios que um dia todos nós saberemos por um momento, sem que possamos transmitir, (a quem cá fica), o que é o fim da vida e o começo da morte. As Albertinas adormeceram para todo o sempre, encontram-se algures, mas creia César Ramos, que elas estão bem despertas e vivas em nós enquanto viver-mos. Inté. L.F.

  12. Cesar Ramos: Os que já passaram por esse momento doloroso como eu e o Luis
    Furtado (o Almeida felizmente não) todos sentimos e certamente de forma diferente, esse apagar da luz da vida.
    O mistério mantem-se. Na verdade cada familiar ou amigo nosso que parte é como se partisse também um pouquinho de nós. Ficamos na verdade mais pobres. Vou ver se encontro a foto que refere no seu blog no mês de Maio ? ( Ver ” Alfobre das letras- Blog de Cesar Ramos ). – Palma

  13. Luis Furtado: Também você passou há muito pouco tempo por este momento marcante da vida de cada um de nós. Afinal todos os dias acabam por aí em cada canto do mundo… este ciclo do nascer, viver e morrer. O depois é um mistério… para o vivos….\\\\\\\\\\
    Almeida: Não te esqueças do cartaz com o meu pai… também ele uma recordação para ficar…. Palma

  14. Cesar: Em nome dos amigos que por aqui passam, obrigado também por ter desabafado um pouco com todos eles a sua mágoa neste dia de muita mágoa, na sua vida. Abraço – Palma

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