Meninos que não tiveram Natal

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A RODA DOS EXPOSTOS

Num tempo em que tanto se fala do Jesus menino e se comemora o seu nascimento, lembrámo-nos de vos mostrar uma peça que hoje faz parte do Museu de Loulé mas em tempos que já lá vão esta Roda dos Expostos, como era chamada, recebeu no seu interior muitos meninos da nossa terra.

De proveniência desconhecida, poderá ter pertencido ao Convento Espírito Santo em Loulé.

Trata-se de um importante testemunho histórico-social sobre o tema das crianças expostas ou abandonadas, num contexto de ilegitimidade e pobreza, e que foi relevante no nosso concelho, sobretudo no período entre 1836 e 1884.

A Roda é composta, tal como muitas outras que existiram, por um cilindro oco, em madeira, com apenas uma abertura onde era colocada a criança.

Era deixada numa janela exterior de acesso público e tinha um mecanismo de rotação que impedia a visualização do interior do convento, de quem depositava a criança.

Há notícias da Roda em Loulé desde 1703, segundo um estudo do historiador Nuno Osório, publicado na Revista nº 3 AL- Ulyá, apesar da instituição da Casa da Roda, em Portugal, só surgir no ano de 1785.

Na Roda eram colocadas as crianças expostas, as quais eram recebidas pela Rodeira e, posteriormente, entregues a uma ama. Na Roda de Loulé, raramente existiu mais do que uma ama interna. No entanto nos períodos de maior movimento esse número poderia ser aumentado. As amas, internas e externas, designadas de amas de leite e de amas de criação, tinham uma acção importante a desempenhar e eram contratadas para cumprirem a tarefa de cuidarem das crianças da Roda.

Fonte: A foto da Roda dos Expostos que apresentamos, foi obtida nos Claustros do Convento Espírito Santo e pode ser visitada todos os dias úteis no horário da Galeria Municipal.

As informações acima reproduzidas são de autoria de Ana Rosa Sousa e de Luís Pereira.

8 comentários a “Meninos que não tiveram Natal

  1. Palma; em relação ao post anterior posso garantir-lhe que o postal não é Português… os nossos burros são muito maiores,rsrs. mais parece, e é, um burro artificial… veja-se na fuça do dito, o lábio inferior maior que o superior… na traseira, não à continuação para o rabo… como tem um numero, deve ser algum prisioneiro de guerra, portanto a foto é dos anos 40… nota-se uma bota numa das pernas, a outra?… o Pai Natal de tantas chaminés que visitou está cansado… mas, não devia ter escrito isto ontem?rsrs. \\\ Hoje, com esta amostra, nem imagina como vai aliviar as preocupações de S. Bento… vai passar a Haver mais bebés… faz-se uma réplica e coloca-se numa das paredes do Palácio, depois é só pôr lá o bebé que o chefe tratará deles para que não se lastime mais com a falta de nascimentos,rsrs. Por este andar e falando sério, neste País em breve, tornar-se-à no reino dos “cotas”… vejo-o por mim, 2 filhos trintões e uma só descendente com dois anos… fica a pergunta… parir para quê?… se a juventude presente e passada não vê luz ao fim do túnel?… é claro que são obrigados a ficar na casa dos pais… e quando estes morrerem?… Que ricas boas festas estas Palma,rsrs. Inté. L.F.

  2. Luís Furtado: A sua visão sobre o pai Natal carvoeiro e o burrinho de cartão que deve ser uma réplica dos nossos burros que os fotógrafos ambulantes tinham ali à porta do Mercado parece não estar muito longe da realidade.\\\ Mesmo com a crise que se faz sentir eu acho que a maior parte de nós somos uns lords à vista dos milhões e milhões de seres humanos sobretudo em África
    e na Ásia que vivem com menos de um Euro por dia. Em cada três segundos e meio morre um ser humano à fome no mundo o que parece não incomodar os países ricos. \\ Entretanto por cá e ainda bem que pode ser assim, o pessoal nos grandes centos comerciais não se coibe de comprar de tudo um pouco incluindo aqueles telemóveis de última geração que custam um balurdio e que estão sempre a saír a toda a hora. A crise verdadeiramente real é para os desempregados . Esses sim sentem-na na pele. Vamos lá a ver se aparecerá por aí um cérebro que não o do Medina Carreira e que ponha as fábricas a trabalhar e não a encerrar. Haverá varinha mágicas algures ? rssss. Uma boa semana sem muitos fritos apesar das rabanadas serem uma delícia rss. Palma

  3. Apesar de viver em Loulé desconhecia totalmente a Roda dos Expostos. Vou passar por lá. Obrigado pela informação. ????? Quanto à chamada crise de que falam ela existe na realidade mas as pessoas levantam agora mais dinheiro do que o ano passado ? Vejam: Os portugueses, nestes dois fins-de-semana prolongados, foram ao Multibanco e deram largas ao cosumo: no primeiro levantaram 79 milhões de euros por dia, mais 21% do que em igual período de 2008; e no segundo levantaram 68 milhões de euros por dia, mais 15% do que no ano passado. Sem contar com os pagamentos através de TPA, os quais, nos dois fins-de-semana, atingiram os 186 milhões de euros por dia, mais 7% do que no ano passado. — Ainda ontem falava com dois patrões que diziam que tinham falta de pessoal mas que as pessoas recusavam o trabalho. Será que têm fore e não têm força para trabalhar ? Não me parece. A coisa está mal contada.

  4. A propósito deixo aqui este pequeno texto de Serafim Cóias para ajudar a perceber melhor A Roda dos Expostos.
    Em Portugal, o abandono de crianças foi objecto de preocupações legislativas desde o século XVI. As Ordenações Manuelinas, cuja edição definitiva se verificou em 1521, [1] estatuíam no seu Livro I, Tit. LXVII, parágrafo 10º:

    “Porém se alguns órfãos que não forem de legítimo matrimónio forem filhos de alguns homens casados, ou de solteiros, em tal caso primeiramente serão constrangidos seus pais, que os criem; e não tendo eles por onde os criar, se criarão à custa das mães; e não tendo uns nem outros por onde os criar, sejam requeridos seus parentes que os mandem criar; e não o querendo fazer, ou sendo filhos de religiosos, ou frades, ou freiras, ou de mulheres casadas, por tal que as crianças não morram por mingua de criação, os mandarão [os juízes dos órfãos] criar à custa dos bens dos Hospitais, ou Albergarias, se os houver na cidade, vila ou lugar ordenados para criação dos enjeita­dos e não havendo […] se criarão à custa das rendas do Concelho; e não tendo o Con­celho rendas por onde se possam criar, se lançará finta [imposto]”.

  5. – Fui deixado sem nome, sem bilhete, sem certidão de nascimento e sem roupas. Não tenho revolta alguma, só sinto um grande amor pela família que me adotou e me deu uma vida feliz – diz F….. que seguiu a carreira de médico por incentivo da família adotiva, que não tinha outros filhos.

    O pai perdeu tudo na queda da bolsa americana em 1929, quando a economia cafeeira sentiu os reflexos da crise. A família se recuperou e possibilitou que ele se dedicasse à Medicina. Formado pela Universidade de São Paulo, ele é clínico geral há 57 anos. Casou-se duas vezes e teve cinco filhos – três deles médicos como o pai. Hoje, ele dá expediente em seu consultório de Araçatuba e se orgulha ao contar que sua vida virou um livro: “A Roda da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo: Exposto 3.381”, escrito por Carlos da Silva Lacaz. In Globo -Net

  6. Às vezes, e isso acontece com todos nós,protestamos por pequenas coisas que nem chegam a acontecer ou ninharias que para outros não significam nada. Conheci uma Missionária Comboniana que ainda está no Sudão e que me referiu que a pobreza ali e noutros sítios de África envergonham grande parte dos seres humanos. No Sudão falta quase tudo: vias de comunicação, transportes públicos, escolas, hospitais, meios de comunicação, água para consumo, energia, etc. Mas pior ainda é a ausência massiva de profissionais para assumir responsabilidades na política, no ensino, na saúde, na construção civil e noutras áreas de extrema urgência, para a reconstrução do país no pós-guerra. As carências reflectem-se ao nível das profissões mais básicas. O sul do Sudão debate-se com a falta de mecânicos, carpinteiros, pedreiros, entre outras profissões. A tarefa de construção das infra-estruturas está quase exclusivamente a cargo das Organizações Não-Governamentais (ONG) nacionais, internacionais e da Igreja local. Que neste Natal quando estivermos todos desenfreados para comprar mais não sei quantas prendas que afinal não servem ou as pessoas nem precisam delas lembremo-nos dos milhões de seres humanos que não têm à mão uma côdea de pão para comer.

  7. Afinal quantos meninos por esse mundo fora (3º Mundo especialmente) vivem esta triste condição. Será que o mundo um dia será igual para todos ? Tenho as minhas dúvidas. Barto

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