Natal dos lugares vazios

Em cada uma das nossas casas é nesta data que se torna mais nítida a falta dos ente-queridos que já partiram.

Há sempre um ou mais lugares vazios na mesa da Consoada. Lembremo-nos deles através deste belo poema de David Mourão Ferreira.

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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que se veja à mesa o meu lugar vazio
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que hão-de me lembrar de modo menos nítido
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que só uma voz me evoque a sós contigo
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que não viva já ninguém meu conhecido
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que nem vivo esteja um verso deste livro
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que terei de novo o Nada a sós comigo
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que nem o Natal terá qualquer sentido
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Há-de vir um Natal e será o primeiro
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em que o Natal retome a cor do Infinito

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(a) David Mourão Ferreira

Foto: Palma

4 comentários a “Natal dos lugares vazios

  1. Naturalmente que nesta data sentimos mais o vazio dos lugares à nossa mesa. Lembramos concerteza de quem fomos muito amigos daqueles que amámos. Bom Natal para todos.

  2. Boas Festas para o Blog Louletania e louletanos amigos. Nesta época em que está misturado o Natal com as Presidenciais tomo a liberdade de vos mostrar o pensamento de Daniel Oliveira do grande Blog Arrastão:
    Imagine que um homem próximo de José Sócrates estava envolvido na gestão criminosa de um banco e que isso custava cinco mil milhões ao Estado. Imagine que um outro homem ainda mais próximo de Sócrates (Armando Vara, por exemplo) também estava envolvido no caso. E que Sócrates, como primeiro-ministro, vinha a publicamente defender a sua permanência num cargo político.

    Imagine que se suspeitava que o banco em causa, quase exclusivamente composto por pessoas do círculo político próximo de José Sócrates, tinha contribuído financeiramente para a sua campanha anterior. Imagine que Sócrates e familiares seus tinham comprado acções desse grupo financeiro e vendido a tempo. Imagine que, sabendo-se tudo isto, Sócrates apoiava a nacionalização dos prejuízos deste banco. E imagine que essa nacionalização ajudaria a explicar a situação calamitosa do país.

    Imagina o que se escreveria sobre o assunto? A quantidade de vezes que o primeiro-ministro teria de explicar as suas ligações ao banco? Os esclarecimentos que teria de dar? As declarações que teria de fazer ao País? Como tudo seria investigado até ao mais ínfimo pormenor? Como todos os documentos seriam vasculhados? Não foi assim nos casos da licenciatura, das casas projectadas, da Face Oculta, do Freeport, da TVI? E muito bem.

    Não se percebe porque é que, num caso muitíssimo mais grave nas suas consequências para o país, parece dispensar-se qualquer tipo de vigilância democrática quando a pessoa que está em causa é, em vez do primeiro-ministro, o Presidente da República.))

    Marcus

  3. Bonito post. Bela lembrança apesar da maior parte de nós nunca esquecermos quem nos foi querido.
    Quanto ao post do Daniel Oliveira tudo aquilo é verdade chapadinha e clara. Vá lá que ainda vão havendo pessoas que sobresaem entre o jornalismo de faca e alguidar como correios da manhã e Cª. Boas Festas
    Ana Bela

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