O “ Camelot” visto em casa !

Quando nos finais dos anos sessenta, muitos de nós estivemos sentados na plateia de um desses pequenos cinemas de província ou numa grande sala de Lisboa, para ver “Camelot”, uma grande produção com Richard Harris, Vanessa Redgrave e Franco Nero entre outros, jamais imaginámos na altura, poder apreciar um dia, este ou outros filmes, em casa, sentado confortavelmente num sofá só nosso… e sem ter que esperar horas em filas para comprar bilhete.

Esse ritual tinha a sua magia é verdade. Mas os tempos mudaram muito na realidade.

Hoje pessoa amiga emprestou-me “ Camelot” em dvd e acabei há pouco de recordar este filme que havia visto há muitos anos do qual só guardava na memória algumas poucas cenas.

Grandes cenários, belos figurinos, excelentes fotografia e interpretações fazem de Camelot um filme que ainda vale a pena recordar.

A imagem que publicamos mostra o cartaz gigante que anunciava este filme no Cinema Monumental em Lisboa (1967 ) e foi da autoria do nosso caro amigo e pintor/ cenógrafo louletano Luis Furtado, a quem já nos referimos neste blog algumas vezes.

Segundo Furtado, há já alguns anos que se deixaram de anunciar os filmes quer em Lisboa ou noutras grandes cidades, com cartazes de grandes proporções como este que mostramos, pois as distribuidoras de hoje enviam com os filmes, o respectivo cartaz em proporções reduzidas não sendo assim necessário encomendar a artistas da especialidade a publicidade como era feita naquele tempo.

De qualquer modo, Viva a 7 ª arte ……cada vez mais perto de nós.

Palma

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17 comentários a “O “ Camelot” visto em casa !

  1. Ainda assisti a alguns espectáculos nessa famosa sala de Lisboa que se chamava Monumental. Pena que a tivessem deixado destruir há uns anos para um centro comercial. Quanto ao cartaz do Luis Furtado é mais uma recordação para quem gostava de apreciar a publicidade de um filme que assim ainda parecia mais grandioso.
    Sol

  2. Quero aqui homenagear, não o filme Camelot, porque esse já recebeu os Óscares, mas sim a grande actriz que foi Laura Alves e que ali no Monumental nos deu horas de gargalhada como grande comediante que foi. Da Informedia:
    ctriz portuguesa, nascida a 8 de Setembro de 1927, em Lisboa, e falecida a 6 de Maio de 1986, representou com êxito em todos os géneros de teatro, sendo, todavia, na comédia que melhor afirmou o seu talento. Estreou-se no teatro de revista em 1940, tendo chegado ao cinema no ano seguinte quando desempenhou um pequeno papel de criada na comédia O Pai Tirano (1941), contracenando com nomes consagrados como Vasco Santana e Ribeirinho. Em 1942, teve uma contribuição decisiva no êxito do Pátio das Cantigas (1942), interpretando o papel de Celeste, a filha mimada de Evaristo (António Silva). Gradualmente, tornou-se uma das figuras mais populares do teatro de revista, muito devido à sua enorme capacidade de improviso, versatilidade interpretativa e piada fácil. Depois de protagonizar os filmes Sonhar É Fácil (1951) e Um Marido Solteiro (1952), conheceu um enorme sucesso com a revista Canta Lisboa! (1953) ao lado de Irene Isidro e de Manuel Santos Carvalho. Seguiu-se Ela Não Gostava do Patrão (1954), Melodias de Lisboa (1955), onde brilhou ao lado de João Villaret e popularizou a célebre rábula «Cinema Mudo» e Música, Mulheres e… (1957). Em 1962, recebeu o Óscar da Imprensa para Melhor Actriz de Teatro em ex-aequo com Eunice Muñoz e voltou a ser premiada no ano seguinte pela sua prestação em A Rapariga do Apartamento. As suas últimas grandes peças foram A Rainha do Ferro-Velho (1965) e Criada Para Todo o Serviço (1967). Na década de 70, a fraca qualidade dos seus textos aliada às enormes dívidas da sua companhia ajudaram ao declínio da sua carreira, tendo tentado colmatar esta situação com numerosas digressões a África. Em 1982, anunciou a sua retirada do teatro, tendo falecido em condições económicas bastante delicadas. Filipe La Féria homenageou-a naquele que terá sido um dos pontos mais altos do espectáculo Passa Por Mim no Rossio (1991), tendo colocado Rita Ribeiro a interpretar magistralmente o papel de Laura Alves, retratando a sua luta pela dignificação do teatro cómico nacional.

  3. Amigo Palma; nova pergunta para confirmar… a carta já chegou?… como não obtive resposta estou preocupado, não se vá ter extraviado por qualquer motivo. \\\ Oh tempo, volta pra traz… querias,rsrs. Espero que tenha visto o Camelot na sua versão integral… geralmente os filmes eram passados antes da estreia para o exibidor e nós ficar-mos com uma noção da publicidade a fazer… (este cartaz foi pintado através de fotos a preto e branco, que ainda guardo, assim como a maqueta a cores)… e vai daí o “inteligente” exibidor, (com a cumplicidade do distribuidor, para “economizar tempo”), pimba, cortaram uma cena com o Richard Harris a cantar dando continuidade à história… fiquei indignado por ver estes dois barrabotas “assassinarem” o trabalho do Realizador… assim, o Público não viu o filme completo ficando a faltar parte do diálogo… coisas do antigamente. A decoração era enorme e foi feita por partes, pena não ter tirado a foto a cores, nesse tempo não havia câmaras digitais,rsrs. Inté. L.F.

  4. Luís Furtado: Já cá tenho o postal para o levantamento amanhã nos CTT. Tive de saír nestes dois dias e por isso só ontem é que me foi entregue o aviso.\\ Penso que a versão que vi é a integral mas…..|| Ainda bem que você deu uma explicação sobre o cartaz e sobre as tesouradas que davam nos filmes dessa época.\\ Ainda me lembro de quando haviam uns beijos mais demorados o corte era fatal. \\ Foi pena as fotos não serem a cores teriam um outro impacto.\\ Abraço

  5. Ainda voltando atrás, apenas quando fui para Angola é que comprei uma pequena máquina que não durou muito tempo. Quando lá cheguei… passados uns dias de estadia no Quartel roubaram-me a mala onde tinha tudo e inclusive a tal máquina. Mesmo dentro do próprio Quartel. Está a ver… naquele tempo um indivíduo ficar sem nada nos confins de África de um momento para o outro… Até hoje, nem ladrão, nem mala … nem máquina….
    coisas de outros tempos……

  6. O Luís Furtado pintava aqueles cartazes em tela ou noutro tecido ?
    Para aguentar ali à chuva e ao vento tinha de ser também uma tinta bem consistente, digo eu, que não percebo muito desse trabalho.

  7. Palma; já posso dormir um pouco mais descansado depois de saber que a preciosa carta não se perdeu… convém que a leia sem testemunhas, nos tempos que correm, é perigoso ler correspondência alheia,rsrs.\\\As fotos eram a preto e branco mas a decoração foi toda pintada a côres.\\\ Leonard, os cartazes eram pintados sobre pano cru de uma certa consistência… este tinha, (se bem me lembro), 15×9 m. Em toda a volta, era feito uma bainha, em cima e em baixo, era enfiado uns tubos de ferro para prender o cartaz à fachada, dos lados, levava cabos de aço. como pintar?… 1º pregava-se o pano ao chão à medida da fachada… 2º com umas escovas dava-se farinha, (depois de bem cozida e arrefecida), para impermeabiliza-lo, depois pintava-se… as tintas era feitas com pó e cola animal, (chamavam-lhe pelica), ultimamente misturava-se, (ainda o faço), tintas plásticas com as cores do pó… porquê os pós?… para tornar as tintas mais fracas em cola e mais consistentes na cor… eram tiradas amostras num papel esfregando-as na mão, se não larga-se tinta estava pronta para pintar, se chovesse a tinta não saía, só se alguém fosse esfrega-la com a mão… quando acabava a exibição o pano ia a lavar, metiam-no de molho e saía tudo com uma escova, a farinha ajudava, não deixando que a tinta sujasse o pano… por fim, utilizava-se para outro filme. E esta é a história da minha vida,rsrs, Inté. L.F.

  8. Luis Furtado: A responder em directo às perguntas dos nossos visitantes…. isto é que é serviço de 1ª rss. Por acaso também me interessou pois tal como o Leonard a minha ignorância era grande em relação a estes famosos cartazes.\\ Amanhã lá irei levantar a tal preciosa carta que me está a deixar intrigado…rssss. UMa boa noite para a capital e para toda a família. Abraço – Palma

  9. Anime-se esta mocidade pois o país mais rico da Europa também está a braços com a crise macaca. Pelo menos não somos só nós.
    “Os meios de comunicação social alemães têm vindo a avançar que o governo de Merkel está a ponderar, entre outras medidas, a redução de milhares de postos de trabalho públicos, a diminuição de pensões familiares ou um aumento de impostos para os fornecedores de energia.

    Segundo a revista alemã Der Spiegel, o governo está a planear cortar 15 mil empregos até 2014 e cancelar os aumentos previstos para os funcionários públicos a partir de 2011 como parte dos esforços para reduzir o défice orçamental do país.

    A Alemanha, a maior economia europeia, enfrenta um défice orçamental superior a 86 mil milhões de euros e já fez saber que precisa de cortar pelo menos dez mil milhões de euros por ano até 2016.”
    Entretanto saia mais um filmezinho para a gente não se assustar muito.
    Goncinha

  10. == Luis tenho a agradecer da sua informação. Estamos sempre a aprender. Não fazia a mínima ideia. Mas os cartazes do Politeama ou do Parque Mayer ainda são pintados dessa forma ou já não ? Pelo que estive a observa há tempos atrás parecem pintados. == Leonard

  11. Leonard; Loulé pode gabar-se de ser a única Cidade do País que ainda mostra um cartaz de grandes dimensões pintado à mão pelo Carnaval, por enquanto… cá por Lisboa, só os cenários pro Teatro, é que são pintados à mão… por enquanto. L.F.

  12. Afinal com as explicações do Mestre Luis Furtado ficámos todos a saber mais sobre esta técnica dos grandes cartazes já em declínio em virtude das novas que vão surgindo. Mas as mãos serão sempre superiores às máquinas nas artes…….\\\ Luís: A Margarita encantou-me. E não só ela claro. Abraço –

  13. Do que este homem se lembra!!! só mesmo um homem das artes !! Boa! e não é que mudou mesmo?! tudo mudou … rápido e muito, é verdade… quem nos havia de dizer que as coisas tomariam este rumo? … e tudo o mais que vem pela frente … Um abraço … como sempre extensivo ao resto dos tertuliantes …

  14. Tudo mudou e mudou muito!
    Nas artes as mudanças criaram um vazio de competência assustador ao ponto de, quem no passado nem uma letra pintaria ser borrar tudo, hoje poder, com as teclas e algum dinheiro, vender vistoso serviço…
    É um caso onde a tecnologia matou o artista!
    Tem razão o Furtado ao referir o cartaz do Carnaval… já me perguntei muita vez quando será impresso na Vinilconsta, também ele!

  15. Está vivo o debate à volta do cartaz do senhor Furtado. Um artista louletano com letra grande apesar dos seus grandes cartazes já não se fazerem. Mas os tempos vão trazendo novas técnicas e a gente nem faz ideia como será daqui a 100 anos. Como será ?

  16. Caros amigos o cartaz do L.Furtado e o edifício do Teatro Monumental davam «panos para mangas» como se costuma dizer. Quem sabe se um dia destes não voltaremos ao assunto….

  17. Belos tempos em que saía de casa para ir ao cinema, hoje as salas nem sempre têm o publico que deveriam ter. Consome-se o filme em casa. Se eu vejo filmes em casa? Vejo, mas não é a mesma coisa!

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