Os cadáveres de D. Sebastião

Obrigou os que o acompanhavam a beijarem a mão de um esqueleto com mais de 300 anos

Não há quem não conheça as bizarrias do Rei D. Sebastião. Louco, misógino, sonhador, irrealista, irresponsável – nenhum destes atributos o impediu porém de ser O Desejado. Ou seja: de ter, ao longo dos séculos, induzido como que por artes mágicas milhões de portugueses a suspirarem pelo seu regresso numa manhã de nevoeiro, montado num cavalo branco, para resgatar Portugal.

Mas se calhar muita gente não conhece este episódio. Ao visitar um dia o Mosteiro de Alcobaça, D. Sebastião quis ver os cadáveres dos reis seus antepassados que ali jaziam.  Mandou pôr os túmulos de pé e retirar-lhes as tampas e obrigou  os seus acompanhantes e os frades do mosteiro a beijarem a mão de D. Afonso III, ou o que dela restava. Virou-se  depois para os despojos de D. Pedro I (o desequilibrado amante de D. Inês de Castro) e invectivou-o ali mesmo, acusando-o de falta  de iniciativa guerreira. Um dos monges teve a audácia de lembrar ao rei que se D. Pedro não fora um conquistador de novas terras, nem por isso deixara de ser um bom administrador do reino, comentário este que deixou D. Sebastião à beira de um  ataque de nervos.

Pouco depois, D. Sebastião embarcava para uma viagem às praças do Norte de África que o deixou de água na boca para « planear» ( com muitas aspas) a desastrosa expedição de Alcácer Quibir. De onde não voltaria com vida.

Nem ele nem o seu reino, diga-se.

Fonte: – 365 dias com histórias da Hist. de Portugal  de autoria de Luís Almeida Martins.

 

4 comentários a “Os cadáveres de D. Sebastião

  1. Anda ha quem defenda a Monarquia. Portugal teve de levar com esse tipo em cima e que era completamente desastrado a governar. Pelo menos hoje de 4 em 4 anos a malta pode mudá-los.

  2. Fugiu de Alcácer Quibir
    El Rei D. Sebastião
    Perdeu-se num labirinto
    Com seu cavalo real

    As bruxas e adivinhos
    Nas altas serras beirãs
    Juravam que nas manhãs
    De cerrado de Nevoeiro
    Vinha D. Sebastião

    Pastoras e trovadores
    Das regiões litorais
    Afirmaram terem visto
    Perdido entre os pinhais
    El Rei D. Sebastião

    Ciganos vindos de longe
    Falcatos desconhecidos
    Tentando iludir o povo
    Afirmaram serem eles
    El Rei D. Sebastião
    E que voltava de novo

    Todos foram desmentidos
    Condenados às gales
    Pois nas praias dos Algarves
    Trazidos pelas marés
    Encontraram o cavalo
    Farrapos do seu gibão
    Pedaços de nevoeiro
    A espada e o coração
    de El Rei D. Sebastião

    Fugiu de Alcácer Quibir
    El Rei Rei D. Sebastião
    E uma lenda nasceu
    Entre a bruma do passado
    Chamam-lhe o desejado
    Pois que nunca mais voltou
    El Rei D. Sebastião
    El Rei D. Sebastião

    Letra da canção que fez sucesso há muitos anos e que era de José Cid

  3. Tal como ontem hoje também temos os nossos governantes loucos e sem respeito por que os colocou nos lugares que ocupam.

  4. Eu gosto do mistico desta lenda que atravessou os tempos.
    Fernando FFP

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *