Os Cantadores Ambulantes

Apareciam muito nos mercados e feiras da Vila. Cá ao fundo, junto à loja do senhor Alberto, onde toda a gente “tinha” da passar. Ou no passeio em frente do jardim.

Ao som de uma velha sanfona, da viola, da guitarra, do bandolim, quase sempre desafinados, iam cantando e tentando vender as letras das canções estampadas em papel com fotografias difíceis de reconhecer dos nossos cantantes da época.

Muitas vezes, as músicas eram adaptadas a quadras que recontavam tragédias da nossa gente. “Uma rapariga solteira, que andava na malhadeira…” e que lá caiu. Morte certa, cantada de terra em terra. Por este meio podiam chegar-nos também músicas de sucesso lá na Capital e que, assim, passavam de boca em boca, sem grande preocupação de fidelidade ao original.

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QUADRAS DE CANTADEIRA

A Desgraçada  Silvina

Lá no Barranco das Velhas

Foi a Silvina Caiado

Levada por um bandido

Que a enganou num Silvado

 

Era singela a menina

E do Mundo pouco sabia

Era a moça mais donzela

Lá da sua Freguesia

 

Com falinhas mansas chegou

E muitas promessas também

O bandido veio de longe

Dos lados de Santarém.

 

Mal sabia ela Silvina

Moça ainda de pouca idade

Que ele queria era abusar

Tirando-lhe a virgindade.

 

 

E os pais quando souberam

Do triste acontecimento

Quiseram matá-lo à pedrada

Negando-lhe o casamento

 

Silvina que se encantara

Nas conversas do malvado

Entregou-se de corpo e alma

Ao amante desgraçado

 

E para terminar a questão

Foi Silvina para um convento

E o malandro do maganão

Foi-se embora como o vento

 

E por fim aqui vos deixo

Um conselho do coração

Nunca deixem as vossas filhas

À  mercê  de qualquer ladrão.

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Fonte : Texto e foto do blog Palavras só palavras \\\ Quadras de cantadeiras – Arquivo de Louletania \\\\

 

4 comentários a “Os Cantadores Ambulantes

  1. Muito interessante esta coisa das quadras cantadas pela rua. Recordo-me vagamente de ouvir algumas mulheres acom panhadas por um instrumento cantarem à porta da Praça. Outros tempos. De muita miséria. Jose

  2. Quadras desgraçadas. Quanto mais desgraçadas mais as peswsoas compravan. O prazer mórbido de ler em verso os crimes de então. Maria Jose

  3. COm esta crise que estamos a passar bem que podiam aparecer cantores deste género interpretando cantigas de desespero e de indignação.

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