pequeno poema de um poeta louletano

M A R

……

Gosto do cheiro do mar

deste seu gosto molhado….

é por isso que estou sentado

aqui na beira da praia;

aqui na beira da praia

gostaria de morar.

………………

Vejo passar os navios,

onde eu não posso embarcar

e que me fazem lembrar,

corpóreos sonhos vazios

que surgem só por surgir,

que partem para tornar

e tornam para partir,

num longo e triste abalar.

………………..

Vejo passar os navios

e eu gosto de os ver passar !

ºººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººººº

Autor: Fernando Laginha poeta louletano falecido em 1974

Foto: Quadro a óleo de Vladimir Kush

12 comentários a “pequeno poema de um poeta louletano

  1. Gosto muito da pintura do surrealista Kush. O poema fica assim muito bem enquadrado. Boa noite para toda a Louletania. Zeta

  2. AH GANDA´S LOULETANOS! sempre à frente … Valeu! não conhecia o poema … Obrigada! e eu que me lembro de Ulisses, sempre que vejo esta pintura ?! associações parvas talvez … lol … Abraço extensivo ao Luis …

  3. Zeta: Também eu.. tambéu Zeta. Por isso a escolhi para este poema. Boas .

  4. Liliana: O Fernando Laginha foi um dos primeiros homens que se apercebu do valor do A. Aleixo. Deu-lhe também um mão para que subisse alguma coisa na vida. Também ele poeta mas guardou sempre tudo na gaveta. Era ourives/relojoeiro e só depois de falecer a família e a Junta de S. Sebastião editaram um livro. Abraço

  5. Já me esquecia do seu Ulisses. E agora que estou olhando de novo para a pintura vejo realmente que há ali qualquer coisa que pode muito bem lembrar Ulisses………. Tantos olhares … tantas formas de ver……

  6. Domingo espero estar na Casa da Cultura para ver finalmente essa (Pensão Luar do Cadoiço).. Muita M….
    Beto

  7. Viva Palma; temos pintura, poesia e vou dar-lhe música,rsrs. Começando pela pintura não restam dúvidas que este pintor russo, tem uma imaginação fértil e sabe pintar como os bons mestres do surrealismo.

    Uma poesia que tem a haver com o mexilhão;

    Está mais pra chorar
    do que pra sorrir
    está mais pra perder
    do que pra ganhar
    que se alegrar
    está mais pra lá
    do que pra cá.

    Amigo, esta vida não tá boa,
    o sufoco vem da proa
    deste barco que é a vida
    e nesta briga,
    da maré contra o rochedo
    sou mexilhão e tenho medo
    de não ter uma saída.

    Estou a gravar-lhe 2 CD que para os dias de hoje, podem-se considerar “surrealistas”, ou se calhar não… convém ouvi-los com auscultadores por causa da vizinhança,rsrs. Inté para si e pra amiga Liliana. L.F.

  8. Errata; onde se lê na poesia… “do que pra ganhar” a seguir falta; está mais pra sofrer. L.F.

  9. Luís: Temos poeta à vista. Loulé é terra de poetas e de pintores, desenhadores, músicos e de tantas artes mais. \\\ Há pouco estive a ouvir um sucesso dos anos 50 ??? que achei bonito e que você também conhece. Pode-se considerar uma melodia de sempre. O Amor é louco, não façam pouco dessa loucura….. Há muito que não ouvia e na verdade, naquela época de amores tresloucados,estas letras eram mesmo para arrasar…rsss.

  10. Luisa: Voltarei a colocar um ou outro poema deste poeta desconhecido. Também gosto muito do quadro, aliás parece que gostamos todos. Um bom fim de semana . Parece que vem aí um tempo mais quentinho…. Palma

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