Poema para uma rua

 

Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua. . .
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua…
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.

David Mourão Ferreira
À Guitarra e à Viola
(1954-1960)

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Foto:

Quadro a óleo de autoria de Luís Furtado sobre uma rua louletana

– Rua  Garcia da Horta – 1987

 

6 comentários a “Poema para uma rua

  1. Davd Mourão Ferreira foi um poeta magnifico e que deveria ser recordado mais vezes. Este seu poema de um fado bem conhecido é puramente português. Parabéns ao Snr. Furtado pelo belo enquadramento desta rua de Loulé. Bom domingo – Zica

  2. Muito bonita esta pintura desta rua de Loulé por onde não passo há vários anos. Possívelmente deve estar mudada. Pena é que muitas antigas ruas da nossa vila tenham sofrido já alterações que as transformaram em coisas sem qualquer interesse estético.

  3. Esta rua pouco mudou. Fica nas traseiras do Arquivo Histório, antiga Escola da Ancha. A pintura está realmente bonita. O pintor Furtado continua a surpreender-nos. Maria Manoel

  4. O poema não deve à pintura e a pintura sem sombra de dúvida não deve mesmo ao poema … casamento perfeito … essas cores são mágicas!!!

  5. Belo poema. Juntamente com a pintura do Luis Furtado é um belo post sim senhor. Abraço para os louletanos. Kent

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