Poetas algarvios – JOÃO LÚCIO

Olhão

“Terra aonde nasci, brava, movimentada,
Velha amiga do mar, minha terra arrojada,
Onde nunca o valor se extingue e se destrói,
Branca filha de heróis e mãe de tanto herói,
Bela, como tu és, é que te quero mostrar,
Com mirantes de neve, erguidos, a olhar,
Seguindo sobre a água, os sonhos e as velas,
Sob a copa do céu a sacudir estrelas!
Tens ruas brancas que se torcem e coleiam
Dando a impressão que com volúpia ondeiam,
E tendo, no esguio e apertado espaço,
O carinhoso ar afável dum abraço,
Onde há não sei o quê de morno e sensual,
Um bafo de serralho ardente, oriental.

Tu tens a languidez, a dormente magia
Que abre nos corações a flor da fantasia,
Um hálito de sonho, ardente e perfumado,
Que levanta as visões dormentes do passado…
Assim, alva e serena, assim misteriosa,
Com teu lindo perfil de branca intemerata,
És como uma grácil moira voluptuosa,
Rebuçada, ao luar, no seu morghot de prata”

_____ Foto: Rua de Olhão antigo

Trav. António Bento

Fonte: Páginas de Luís Guerreiro e Olhão Livre;

7 comentários a “Poetas algarvios – JOÃO LÚCIO

  1. Pode-se dizer que o Algarve é também terra de poetas. Motivos não faltam para inspiração.

  2. Sempre gostei de Olhão. É das cidades com caracteristicas muito próprias no nosso Algarve. Os tempos vão mudando tudo mas ainda restam as suas vielas e açoteias.
    Cassiopeia

  3. Como olhanense fico agradado com este post em terras de Loulé. E viva os algarvios moçe ! Jaques

  4. Continuo a gostar muito de Olhão. Mas os tempos mudaram-lhe a fisionomia como acontece com a maioria das terras do Algarve. Preservem Olhão senhores governantes. Allan

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