Professoras: Quando amar era proibido…

Embora hoje pareça ridículo o facto de uma professora primária ter sido impedida de se casar ou de um marido poder matar a mulher em flagrante adultério, no tempo do Estado Novo, as coisas aconteciam mesmo assim. Vejamos :

 

………. “As mestras (professoras) tinham a sua vida sentimental vigiada pelas famílias dos alunos, pelo pároco da terra, pelo regedor da freguesia, pelo ministério e pela lei, que as proibia até de usar maquilhagem.

Preferencialmente deveriam ficar solteiras, casadas com o magistério primário e encarar o ensino como missão, a escola primária como convento. Mas, se apaixonadas, enveredassem pelo matrimónio, estavam proibidas de se casarem com homem que não tivesse meios financeiros superiores ao seu ordenado de mestra -escola.

O casamento de uma professora tinha de ser autorizado pelo Governo e os noivos, os homens, eram obrigados a apresentar dois atestados: um de bom comportamento moral e civico e outro em como o o futuro marido da professora auferia um ordenado superior ao da mulher ou possuía meios suficientes para a sustentar. Caso contrário o casório era proibido.

Esta norma só foi revogada depois do 25 de Abr., pela Constituição da República de 1976 e pelo decreto lei 474 de 16 de Junho do mesmo ano.

O mesmo decreto pôs fim também ao direito do marido de violar a correspondência da mulher, que foi lei em Portugal durante 90 anos consecutivos. O artº 372º do mesmo código permitia ao marido matar a mulher em flagrante adultério ( e a filha em flagrante corrupção), sofrendo apenas um desterro de seis meses para fora da comarca. Esta atenuante extraordinária só era extensiva à mulher se a amante do marido fosse por ele «teúda» e manteúda» na casa conjugal. “

 

Fonte: “ Proibido “ autor: António costa Santos

Foto: Escola Primária do Bairro – Loulé 1954

4 comentários a “Professoras: Quando amar era proibido…

  1. Nõ sabia que tinha de ser o estado salazarista a autorizar os casamnetos das professoras. Abominável não é ?

  2. Essa dos mairidos poderem exigir aos patrões que demitissem as suas mulheres do trabalho, não lembrava ao diabo. Raio de homem. Belinha Siller

  3. Só de cabeças de azinho poderiam vir leis tão ignóbeis. Ainda há quem tenha saudade do tiraninho ? Fosca-se . Sousa KM

  4. Desconhecia por completo essas leis próprias de cerebros doentios e já agora sacanas. Any

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