PROIBIÇÕES DE OUTROS TEMPOS – 2

Filhos de mãe incógnita

Das muitas proibições do tempo do Estado Novo, que nos dias de hoje parecem mais que absurdas e até há quem duvide delas, falamos hoje  de um termo que provocou ira e revolta em muitos portugueses da época.
“ Quando a mulher casada pela Igreja se separava, escolhia novo companheiro e ficava grávida de um filho deste, no momento de registar a criança,
era obrigada a dar ao rebento o apelido do seu (ainda e para sempre) marido, que, manifestamente não era o pai biológico e até podia achar muito má ideia estar a dar o apelido e os direitos sucessórios a filho alheio.
Tanto fazia. A alternativa era o registo ser feito apenas pelo verdadeiro pai,
o que não podia casar-se  com a mãe, porque esta estava amarrada ao primeiro casamento. Desta proibição surgiram, assim, milhares de portugueses que viram registada na sua certidão de nascimento a absurda classificação de « filhos de mãe incógnita», mais difícil ainda de explicar e mais estigmatizante que a inscrição «filho de pai incógnito», atribuída à descendência de mães solteiras e de pais casados com outra. “
De qualquer modo nos dias de hoje, ainda aparecem proibições que a maior parte de nós não consegue entender. Vejamos:
“  Já em Março de 2007, o Papa Bento XVI, na primeira exortação apostólica do seu pontificado, fez questão de recordar que os católicos divorciados que voltem a casar estão  proibidos de comungar, a menos que  se comprometam a viver com o novo companheiro como amigos ou irmãos, isto é, sem relações sexuais”

Palma  –  Fonte “ Proibido” de António Costa Santos
Imagem: Net

12 comentários a “PROIBIÇÕES DE OUTROS TEMPOS – 2

  1. Se a proibição do titulo do post me faz confusão a outra do Papa ainda me mete mais: ==os católicos divorciados que voltem a casar estão proibidos de comungar, a menos que se comprometam a viver com o novo companheiro como amigos ou irmãos, isto é, sem relações sexuais” === Alguém mais inteligente do que eu me pode explicar ? Lenita

  2. Se ouvisse apenas por boca, não acreditaria. Mas é mais um livro que o Antonio Costa Santos vai vender….lolll.

  3. Viva Palma; Sou daqueles que pertence a este grupo… enquanto criança e até aos 9 anos, (idade que tinha quando meu pai faleceu), conheci e convivi muito bem com ele, meus pais não eram casados e sempre escrevi o meu nome com o seu apelido, (Santos), sem problemas, com desconhecimento, na inocência, até à idade de ir para a tropa. Apurado para todo o serviço militar com a chancela de, Pai incógnito… mas o meu pai chamava-se Luís José dos Santos!… de novo a mesma chancela, só pode ter o nome de sua Mãe. Bem, fiquei a saber, que naquele tempo, as crianças nasciam por obra e graça do Espírito Santo, desta vez, nem o Santos me valeu,rsrs. Os tempos e as mentalidades mudaram e ainda bem… não sendo casado com a Mãe do mais novo, a primeira coisa que fiz quando ele nasceu, foi regista-lo com o meu nome, para vergonha já bastou a minha. E pronto, este é mais um pequeno episódio da vida do Furtado… dizem vocês… qué ca gente tem a ver com isso,rsrs. \\ Ainda não fui ao Teatro, mas um dos autores é de certeza o F. Nicholson, quando souber mais informo. Inté. L.F.

  4. Quase anedótico Palma! mas que era verdade, lá isso era … entre tantas outras coisas … enfim! um passado recente de que nem sempre nos orgulhamos! Lenita … do Papa não reza a história …
    Abraço

  5. Lenita e Horta: Qualquer delas não faz sentido nenhum e por isso mesmo
    nos custa a compreender tamanha e original lei.

  6. Luis Furtado: Ora aqui está um exemplo que deita por terra quem diz que não era bem assim e que estamos a empolar. O que aqui descreve vale por 50 comentários já que é um dos que sofreu na pele a manhosa lei inventada certamente numa noite de trovoada seca. E ainda não se falou das pessoas que nesta situação muitas vezes eram olhadas de forma bem diferente dos outros. Isso eu conheci e apercebi-me apesar da idade.\\\
    Liliana: Viva a gente todos que passámos por estas coisas que parecem novelas com enredos de mau gosto mas bem reais. Boa tarde para os caros amigos. Palma

  7. É bom que se falem nestas coisas já que parece que os pais não gostam de contar aos filhos o seu passado a não ser que sejam pais nascidos depois do 25 de Abril e aí não têm conhecimento da mil e uma proibições e humilhações. Sobretudo essa palavra HUMILHAÇÃO.

  8. Gostei do comentário do S.r Furtado.Alguém que sofreu na pele as ridículas leis que certamente fizeram sofrer muita gente.Eu não posso fazer ideia de tal coisa pois parece-me completamente desregulado. Cada época tem as suas
    coisas mas se alguém se lembrasse de uma coisa dessas hoje, caíria até a Torre do nosso Relógio.

  9. Espero que continuem publicando coisas que foram proibidas no passado e que hoje até se pensa que poderiam ser meras brincadeiras face à mentalidade de agora. E aquela coisa do marido poder chegar à entidade patronal e pedir para despedir a mulher e o patrão era obrigado a fazê-lo. Tilus

  10. Isto apenas uma ponta do veu das proibiçoes do nosso tempo. Mas anda por montes e vales uma rapaziada que nunca viveu nada disto mas que tem muitas saudades. Coitadinhos. Que pena que eu tenho desses amigos .. do alheio ou das suas fortunas
    escondidas. Afonso

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