Recordações do Teatro de Robertos

Este fim de semana o Museu da Marioneta leva a cabo uma grande “Maratona de Robertos” na cidade de Lisboa. Muitos de nós recordam certamente, dos divertidos bonecos de pau que há umas dezenas de anos andavam por esse país fora de terra em terra levando a alegria do Teatro de Robertos às ruas e praças que se enchiam de gente miúda e não só, para rir a bom rir com as peripécias destes saudosos bonequinhos.

Para avivar a memória aqui fica a pequena história dos Robertos da nossa infância :

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“Nos finais dos anos 50, ainda os fantocheiros populares, calcorreavam terras portuguesas por festas e romarias, divertindo o povo de pequenos e grandes que acorria a ver os seus espectáculos. Os pequenos bonecos de madeira e trapos bailavam caprichosamente ao som dos gritos estridentes produzidos pelo fantocheiro e tudo terminava invariavelmente pela tradicional cena de pancadaria, para grande alegria do público.

Hoje, o Teatro Dom Roberto é apenas uma imagem feliz da infância de alguns, um traço de vivo de uma preciosa herança cultural que se vai esvaindo com os tempos da “modernidade”.”

Representado desde há cerca de três séculos nas feiras, nas romarias, nas praias e nas ruas, o reportório do Teatro Dom Roberto inspira-se simultaneamente na tradição europeia, que lhe deu origem, e nas peças populares do Teatro de Cordel.

O personagem principal deste teatro de fantoches de luva, manipulados por um solitário bonecreiro, tem origem, como em muitos outros casos, no célebre polichinelo italiano, mas não possui caracteres fisionómicos especiais. O seu nome, Roberto, popularizou-se possivelmente através de um empresário chamado Roberto Xavier de Matos que explorava um teatro em Lisboa e viria mais tarde a manter ao seu serviço várias companhias nas feiras portuguesas, numa época em que a maioria dos fantocheiros eram contratados para integrar pequenas trupes de teatro de feira. Uma outra origem possível, terá sido a representação de uma peça intitulada “Roberto, o Diabo” (obra do autor francês, publicada em folhetos de cordel, que conta a história de Roberto, duque da Normandia), cujo nome do personagem se generalizou.

De qualquer modo, a característica mais importante da palavra “Roberto” é a sua sonoridade, aspecto que é uma das componentes fundamentais deste tipo de teatro: a utilização, pelo fantocheiro, de uma palheta colocada na boca que serve para amplificar a voz e produzir efeitos sonoros notáveis. Este pequeno “truque” limita consideravelmente o número de sons que é possível produzir, originando a adopção de um vocabulário próprio, baseado sobretudo em palavras cujas consoantes se formam no palato, nomeadamente os “rrr`s”.

Da última geração de fantocheiros portugueses merece justa homenagem Mestre António Dias que nos deu a conhecer, através de testemunho sincero, toda a arte e saber dos “Robertos”, mantendo o seu teatro vivo até aos últimos dias da sua vida.”

Fonte: Texto – Teatro D. Roberto – Foto: Sérgio Rolo

 

3 comentários a “Recordações do Teatro de Robertos

  1. É fantástico que existam pessoas que não deixaram morrer eata arte que tantas alegrias deu por esse país fora. Lembro-me de assistir ali em frente ao Mercado a um desses tatrinhos de bonecos de pau. Parabéns ao M useu da Marionete. Quando virão a Loulé ? Esmeralda

  2. Há tempos visitei o Museu da Marionete em Lisboa e fiquei encantado com a variedade de bonecos ali existentes. Um pouco de todo o mundo. Aconselho uma visita a quem é apreciador. Joca

  3. E a Loulé não vem cá nada ? As marionetas (Bonecos de Stº Aleixo ) de Évora são fantásticas. Gostaria de vê-las por cá. Talvez a Casa da Cultura pudesse prestar esse favor à cultura.

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