Recordar Ary dos Santos

Vinte e cinco anos  após a morte do poeta  Ary dos  Santos foi agora lançado um disco de homenagem, recordando onze canções com poemas do malogrado escritor/poeta.

Dão voz  a essas canções, Mafalda Arnauth, Susana Felix, Viviane e Luanda Cozetti. Aqui deixamos uma delas, com o título ” Canção do Tempo”.

Afinal, é sempre tempo para recordar Ary.

8 comentários a “Recordar Ary dos Santos

  1. Não conhecia esta versão da canção do Tordo mas na verdade está com uma vestimenta bem actual e soa bem como soava há anos atrás. Ary foi um poeta único embora nada tenha a ver com o tipo de sociedade que defendia. Bom disco este. Mimi

  2. Mimi e João Martins: Ary dos Santos escreveu letras de canções como muito poucos o fizeram. Mesmo a nível internacional. Pena foi que também como outros tenha partido tão cedo. Teria certamente continuado a fazer coisas de extrema qualidade. Abraço – Palma

  3. Um poema não musicado mas onde o poeta demonstra o seu potencial poético uma vez mais.
    Serei tudo o que disserem
    por inveja ou negação:
    cabeçudo, dromedário
    fogueira de exibição
    teorema, corolário
    poema de mão em mão
    lãzudo, publicitário
    malabarista, cabrão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado não!

    Os que entendem como eu
    as linhas com que me escrevo
    reconhecem o que é meu
    em tudo quanto lhes devo:
    ternura como já disse
    sempre que faço um poema;
    saudade que se partisse
    me alagaria de pena;
    e também uma alegria
    uma coragem serena
    em renegar a poesia
    quando ela nos envenena.

    Os que entendem como eu
    a força que tem um verso
    reconhecem o que é seu
    quando lhes mostro o reverso:

    Da fome já se não fala
    -é tão vulgar que nos cansa-
    mas que dizer de uma bala
    num esqueleto de criança?

    Do frio não reza a história
    -a morte é branda e letal-
    mas que dizer da memória
    de uma bomba de napalm?

    E o resto que pode ser
    o poema dia a dia?
    -Um bisturi a crescer
    nas cochas de uma judia;
    um filho que vai nascer
    parido por asfixia?!
    -Ah não me venham dizer
    que é fonética a poesia!

    Serei tudo o que disserem
    por temor ou negação:
    Demagogo, mau profeta
    falso médico, ladrão
    prostituta, proxeneta
    espoleta, televisão.
    Serei tudo o que disserem:
    Poeta castrado não!

  4. A canção de que gosto mais escrita pelo Ary é a Estrela da tarde que considero dos poemas mais bonitos em canções de amor. POucos se podem gabar de ter escrito uma coisa com aquele nível.

  5. Também eu Palma, posso ser tudo… rocha, conquilha, mexilhão; Lagarto frustrado não!,rsrs… a propósito, a rocha está a ficar lisa e amanhã, já posso dar de beber à dor, e dá para festejar o voo da águia contentando os Jrs.,rsrs. \\\ À certas canções que prefiro escuta-las na voz original… não é por acaso que poetas e compositores escolhem o cantor que melhor interpreta os seus pensamentos e são muito poucas as versões a superarem os originais… ouvi o cavalo à solta, (e como gostos não se discutem), prefiro a versão do Fernando Tordo… tirando isso, acho muito bem que não caia no esquecimento esse grande poeta que foi o Ary. Inté. L.F.

  6. … bem … o Palma sabe da minha “especial” preferência por este monstro das palavras … cada poema dele, seja mais ou menos partidário ou num todo amoroso, é um viajar por nós mesmos … e a homenagem dstas 4 jovens e óptimas vozes, é mais que merecida, todas são poucas! … lagartos à parte … também gosto de alguns ehehehhe deprimente e deplorável as situações que vêm antecedendo os jogos … malta identificada, seja de que clube, não voltariam a pisar as imediações dum estádio. Desculpe Palma, não quero misturar as estações, até porque o Ary dos Santos é um todo! a estrela da tarde também é uma paixão, assim como o “meu amor, meu amor” … enfim! tantas são … …

    Original é o poeta
    que chegar ao despudor
    de escrever todos os dias
    como se fizesse amor.
    Esse que despe a poesia
    como se fosse uma mulher
    e nela emprenha a alegria
    de ser um homem qualquer.

    continuação de tudo a correr pelo melhor Luis … as conquilhas dão sabor à tertúlia … Bom fim de semana … parece que a chuvinha volta … será?! um abraço Palma

  7. Liliana: Eu sei da sua especial preferência pela poesia do Ary que na verdade é das maiores do rectângulo português. As suas letras escritas para canções que todos conhecemos são de grande valor havendo poucos que se possam igualar.\\\ Quanto ao pessoal que perde a cabeça nos Estádios ou nas imediações é uma verdade que não gostaríamos de conhecer. Infelizmente existem em toda a clubite, desde uma ponta à outra do país já para não falar dos além fronteiras. Pode ser que um dia o pessoal se respeite. \\O nosso Luís
    dever estar satisfeito já que conseguiu transformar um «conquilhão» numa conquilha. E ainda bem. Bom fim de semana. Amanhã lá vamos estrear mais uma peça do nosso Grupo com o singelo título rsss ” Na Pensão do Cadoiço….” e será na Tor pelas 16H30 com entrada livre às Damas e Cavalheiros rssssss. Abraço – Palma

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