RUAS DA MINHA INFÂNCIA – 3

rua de sao paulo

RUA DO LAGAR

Em mais uma rua da minha infância, mostro-vos hoje a Rua do Lagar ou R. de S. Paulo, que liga o Largo D. Afonso III à ponte junto ao Posto da GNR. Para quem como eu ,brincou longas tardes de dias intermináveis naquela rua, lembra-se certamente de por ali abaixo correr um pequeno fio de água vindo do Chafariz e que servia para a navegação de pequenos barquinhos de papel ou outras bem simples brincadeiras. Hoje, não é já muito fácil imaginá-la tal como ela era, com o seu enorme Loureiro centenário e com um velho lagar de azeite, por sinal, dos maiores da nossa terra. É que apenas restam até ao meio desta velha rua, as casas que se podem apreciar na gravura acima. O resto são hoje prédios com o perfil desta época.

A araucária dos claustros do Convento Espírito Santo, que na semana passada foi notícia em muitos blogs de Loulé, aparece neste desenho vertical, em toda a sua beleza. A mesma foi alvo há algum tempo de uma limpeza que a deixou com uma silhueta um tanto ou quanto fantasmagórica e que tem sido alvo de críticas por parte de muitos louletanos e não só.

Resta-nos referir que o autor do desenho é um nosso amigo que conhecemos em 1993 , de seu nome António Pinho da Rocha, natural do Porto e que desde há muitos anos se dedicou à pintura a óleo, ao desenho vertical e à feitura de várias colecções de selos para as antigas Colónias Portuguesas de África, Índia , Macau e Timor.

Entre muitas exposições que fez ao longo da vida destacamos aqui, as realizadas em Loulé.

Em 1993 na Galeria Municipal, em 1996 na Casa da Cultura de Loulé e em 1999 na Galeria da Praça do Mar em Quarteira.

Texto e foto: Palma

13 comentários a “RUAS DA MINHA INFÂNCIA – 3

  1. A propósito da Araucária que se vê no desenho e que foi tema de conversa esta semana em vários blogs como o Sebastião e o Mc Loulé, achamos por bem que um texto do João Martins face a um quadro do Luís Furtado, aqui fique à disposição de quem o queira ler. Vale a pena.

    “A arte é das mais nobres formas de representação da realidade. No quadro em exposição, obra do pintor Luís Furtado, há uma raridade entreposta entre o fim das velhas nobres casas da antiga vila Louletana e o fio do horizonte, que é impossível escapar ao olhar de um observador mais atento e amante do mundo da natureza e da vida de todos nós.

    Tratava-se da mais preciosa dádiva que Deus concedeu a todos os Louletanos. Uma araucária gigantesca impunha as suas formas a toda a cidade. Infelizmente, a real crueldade da vida humana e das acções dos homens, levou a que a arte esti­vesse desta vez condenada, a cristalizar nas memórias de todos nós como o pas­sado da natureza louletana era bem mais belo do que o presente e o futuro. A arte, produtora de um imaginário que perdura sem prepara lá da existência dos homens, transformou-se sem o querer, desta vez, em forma de intervenção e de denúncia.
    Como todos gostaríamos que os futuros artistas pudessem imaginar Loulé como maravilhosamente o fez o pintor Luís Furtado. Era sinal que tínhamos de volta a nossa árvore do conhecimento, representada na velha araucária. Era sinal de esperança e de sabedoria.” João Martins

  2. Ora cá esta, finalmente e belo!
    Parabéns Palma e obrigado por teres dado a conhecer essa bela imagem a partir do Parque de Estacionamento da Rua do Matadouro/S. Paulo. Que bela era a Araucária vista daí!

  3. A bela araucária decepada deverá levar muitos anos a ficar tal como ela era. Não se percebe como é que as pessoas que dirigem este sector não se importam absolutamente nada com uma coisa que diz respeito à cidade pois embelezava-a.

  4. Os lagares de azeite de Loulé desapareceram completamente. Lembro-me desse na Rua de S. Paulo e de um outro cujo edifício ainda existe e que se situa no Largo das Portas do Céu. Hoje daria um belo Museu, uma casa da Cultura e ainda caberia ali outra associação. Mas em Loulé pouco se sabe do que se pensa fazer nem a curto nem a longo prazo a não ser obras que entram pelo olho do cidadão como o tal Hotel no fundo da Mina que segundo ouvi dizer parece já não haver interesse. Não sei.

  5. A modernidade por vezes é pena que retire o que era bonito mas antigo só porque é necessário modernizar. Sò porque é preciso mostrar que se está mudando.

  6. As ruas em que fomos felizes em criança perseguem-nos (no bom sentido) toda a vida. Ainda hoje sonho com correrias e brincadeiras como a cabra cega, a maneca ou macaca, ringue, lencinho da botica e outras. O mesmo acontecerá com os meninos de hoje ? Com os seus jogos electrónicos ? Com a violência que os americanos, chineses e outros distribuem pelo mundo inteiro não sei quais serão as saudáveis recordações dos jogos de infância de agora. É bom que se transmita aos nossos filhos os bons jogos que divertem mais do que a brutalidade dos Skoopers e outros.

  7. Caros amigos só agora me inteirei dos vossos comentários e agradeço desde já o tempo que dispuseram para os deixar aqui. Mais uma vez se fala de uma rua que muitos conhecerão e onde alguns certamente também brincaram. Todos sabemos como eram diferentes os jogos das tarde longas de verão desse tempo. A Sousinha refere alguns e penso que nem se podem fazer comparações com os dos miúdos de agora.Estamos numa época em que a electrónica mudou a vida de quase todos nós. Os jogos dessa altura mesmo que se façam hoje a miudagem prefere mil vezes os da sua época. É natural embora nós tenhamos saudades dos nossos. Uma boa noite. Palma

  8. Boa tarde e bom fim de semana! … é Palma, tudo era bem mais calminho … o progresso carrega consigo duas faces da moeda … bom e mau … como tudo na vida …

    Abraço

  9. Liliana desejo-lhe igualmente um bom fim de semana e que se possível trouxesse uma chuvinha porque a coisa está a ficar mais um ano com um cheirinho a seca. O progresso é isso mesmo que você refere. Mas o mundo tem de avançar. Às vezes o homem podia era ter mais senso e bom gosto…. Abraço – Palma

  10. Viva Palma, se precisar um pouco de chuva diga que eu mando desviar a rota das nuvens que ameaçam a Capital,rsrs. Não sabia que essas casas ainda existiam, pois não tenho passado por lá, lembro-me sim, de chamar a essa rua, a do matadouro, bater à porta do dito e pedir “bexigas” para fazer bolas, quando não era com meias… outros tempos, onde a malta tinha que se desenrascar e era se queria ter bola… nas caixas dos rebuçados só saía uma,rsrs. \\\ Está confirmado estar Domingo por aí, já começou a cair uns pinguitos, se for em abundância, levo alguns comigo,rsrs.Inté. L.F.

  11. PS: agora reparo que o relógio está certinho, o do largo S. Francisco bate as mesmas horas? L.F.

  12. Caro Luís: Aqui não se vê nem se sente a desejada chuva que você está vendo aí na capital. Estamos a caminho de Dezembro e ela só surgiu até agora dois dias em Outubro. Se vem no domingo faça favor então de trazer uns bons potes rsss.\\ Luis acho que está confundido. A Rua do Matadouro é a outra onde o seu colega pintor observou esta paisagem. Quanto ao relógio não dei conta nem deste nem do de S. Francisco rsss. Ando mesmo fora de horas…..rssss. Abraço – Palma

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