RUAS DA MINHA INFÂNCIA

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O MEU LARGO DO CHAFARIZ

Ei-lo a cores e completo como era. O Largo do Chafariz, actualmente Praça D. Afonso III.

Neste Largo passei grande parte da minha infância quer a brincar, a visitar diáriamente tios que tinham estabelecimentos por ali ou ainda a fazer alguns recados nas Mercearias do Snr. «Joanico» ou na do Snr. Laginha.

Depois havia o chafariz onde os burricos matavam a sede após uma caminhada entre o campo e a vila e que servia também para «brincadeiras aquáticas» já que se poderia utilizar aquele espaço para colocar um barquinho à vela ou uma simples tabuinha a navegar.

Fazendo um pequeno esforço de memória posso dizer desde já que o Largo estava totalmente habitado havendo ainda alguns estabelecimentos como, duas mercearias, um agência funerária, um alfaiate, uma adega, uma oficina de chapelaria e de tinturaria, uma oficina de malas de senhora, dois albardeiros, um latoeiro, um barbeiro, uma oficina de ferrador e duas modistas de roupa de senhora. Escusado será dizer que práticamente já faleceram todos. As moradias estão quase todas devolutas e outras foram demolidas para que o resto da muralha que não estava à vista

a pudesse mostrar.

O Largo do Chafariz da minha infância é uma sombra do que foi, em todos os aspectos.

Não me envergonho até de dizer, que preferia vê-lo como era (mas lógicamente arranjado e cuidado) ao que é hoje, sendo certo que para quem por aquele espaço não tenha qualquer afectividade, o actual relvado com a muralha à vista seja uma mais valia.

Uma noite há muitos anos, sonhei que passava por ali um eléctrico daqueles que atravessam Lisboa e podem crer que a paisagem ficava bem mais linda ainda. Pode ser que o meu caro amigo e pintor louletano Luís Furtado um dia idealize aquele Largo com todo esse movimento de então acrescentando-lhe o Eléctrico lisboeta . Fica aqui a sugestão. E viva o Largo do Chafariz!

Texto : Palma – Foto: Fototeca CM.

12 comentários a “RUAS DA MINHA INFÂNCIA

  1. Nao brinquei nele mas conheço o Largo há muitos anos e também eu gostava da arquitectura do mesmo.
    O Edifício branco que se vê em frente era uma casa senhorial pelo que dizem, do século XVII. Ficariam ali muito bem a sede da Filarmonica Minerva e a Casa da Cultura. Mas isso já não é possível pois tudo desapareceu numa manhã.

  2. Esse chafariz teve durante muitos anos um candeeiro ao centro. Alto e com duas lâmpadas lá em cima. E antes dele, o outro era rectangular e parece que em tijolo segundo se percebe por fotos da época. COmo as coisas mudam em relativamente pouco tempo. Nina

  3. E se repararem bem num postal de colecção que a CML editou há anos as torres do castelo não tinham ameias como hoje. Apenas tinham um parapeito em cima. No tempo do Salazar quando fizeram obras em diversos castelos mudaram-lhes a fisionomia sabe-se lá porquê . Mestre

  4. Caros amigos. Tudo é certo o que dizem sobre o nosso largo do chafariz. Tudo lentamente vai sofrendo alterações embora em certos casos elas aconteçam de um momento para o outro o que pode causar estranheza e até alguma contestação. Gostos não se discutem e eu vou continuando na minha. Um bom domingo. Palma

  5. O que será feito do Luis Furtado e da nossa Liliana ? Que a saúde não lhes falte porque o Pc arranja-se mais tarde ou mais cedo. rsss. Um bom domingo . Palma

  6. Ai como isso anda por aí Palma, ainda ontem falei na carroça que não comprei… a Liliana, ainda deve estar às aranhas com o computador. Para ver se lhe refresco a memória, descubra lá este enigma… durmo sempre as mesmas horas, mas hoje dormi menos uma hora,rsrs. \\\ para esse largo, em vez de um eléctrico, vou sugerir que se faça um teleférico do chafariz até às ameias para os “cotas” não se cansarem na subida ao Castelo,rsrs. Agora ando numa de empresário de espectáculos… depois de ter contratado um Mágico, seguiu-se as Bailarinas do Moulin Rouge, Artistas do Flamengo, o Balet do Lago dos Cisnes, os Forcados de “Alcochete”, os Palhaços do Circo Cardinalli, as Coristas do Parque Mayer, um cantor dos Ídolos, Actores de Hollyood para a realização de uma grande comédia, etc. etc. como vê, ando bastante ocupado… mais um enigma,rsrs. Nessa casa de branco, era onde às vezes me entretinha, (aos serões), a ver os mais velhos a jogarem às cartas, a rebuçados claro, salvo erro no Lauriano Fazendinha…(?) também foi o Largo das minhas brincadeiras. Não desgosto muito de como está, é um cartão de visita para quem chega, falta-lhe é o “lago”, para por-mos de novo os barcos a navegar,rsss. Inté. L.F.

  7. A menina Liliana continua sem computador, mas de boa saúde. Talvez para a semana já tenha o PC arranjado. Abraço, cravo.

  8. Luis Furtado: Através da Cravo já sabemos que a Liliana vai ter pc novo para a semana. Ela é assim uma espécie de Blog da Camila. Sente-se logo a falta. \\\Mas quanto ao Largo, para uma pintura, o eléctrico ficava mais bonito. O teleférico é já para outras gerações que hão-de vir rsss. Quanto aos seus contratos estou a ver que você não ganha o euromilhões mas vai enriquecer como empresário…rss.\\\ E quanto a esses contratos o mestre já deu opinião ou só dará no fim ? Boa semana. Palma

  9. Cravo fico satisfeito por nos dar notícias da Liliana já que ela continua ausente mas por motivos compreensiveis e não por problemas de saúde. Um beijinho para o jovem que qualquer dia já vai para a escola. Olhe que já faltou mais…rsss. Boa semana – Palma

  10. De memória e experiência se reproduzem as sociedade. Durante mais de trinta anos, foi ali que cortei o cabelo. Na barbearia do Daniel. Tempos mais recentes claro. Um largo a merecer reconstituição Histórica.

    Abraço
    João Martins

  11. João Martins: É verdade. E a vida é feita de boas e más memórias. Mas esqueçamos as más porque as boas foram bastantes e daquele largo guardo momentos de brincadeira e de convívio inesquecíveis. Abraço e boa semana. Palma

  12. Olhando para trás o Largo do Chafariz não é mais o que foi. Restam segundo me parece uma Ag. Funer. uma lojinha de roupas e uma de artigos electricos. O que poderia hoje ser um centro de comercio de Loulé é mais um local quase abandonado. As lojas vão encerrando na nossa cidade e os comerciantes não se admirem dos clientes correrem para Faro ou para a Guia. Qualquer dia não há em relação a roupa de homem por exemplo, práticamente quase nada.

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