Teatrinhos de papel

Ofereceram-me  em  menino um teatrinho de papel, coisa simples e nada parecida com os sofisticados  teatros de coleccionadores que  por vezes podemos apreciar sobretudo em documentários televisivos.
Foi  num Natal já distante,  mas não esqueço a alegria que essa prenda natalícia  me causou.. Durante muito tempo foi o meu brinquedo preferido. Depois, bem… depois, desapareceu
ou por envelhecimento ou por descuido meu.
Há cerca de dois anos adquiri um na loja da Ópera de Paris e que se pode ver na foto que publico. Entretanto ficam aqui algumas explicações  extraídas do Blog do Museu do Teatro:
“ Mais um testemunho da importância do teatro na sociedade europeia dos últimos três séculos, onde esta arte é encarada como o divertimento absoluto (e único), os Teatros de Papel tornaram-se, a partir do século XVIII, numa das brincadeiras preferidas das crianças que o podiam fazer ( numa época em que brincar e jogar são privilégios exclusivos das classes sociais mais poderosas).
A colecção existente neste Museu é essencialmente constituída por um magnífico exemplar impresso na Alemanha no séc. XVIII , um excepcional conjunto de várias bocas de cena e múltiplos cenários e respectivas personagens criados e impressos pela famosa Imagerie d’Épinal, de França, todos do séc. XIX, uma boca de cena impressa em Barcelona no início do séc. XX , um teatro com boca de cena de origem polaca, também do séc. XX e o único teatro de papel de origem portuguesa, desenhado em 1947 por Fernando Bento para o livro “Dona Maria de Trazer por Casa” de Adolfo Simões Müller.
Estes teatros, impressos em papel e destinados a serem recortados e montados em cartão, ou então adquiridos já completos, depois instalados em pequenas estruturas de madeira criadas para esse efeito, para além do grande valor e interesse artístico, reproduzem na perfeição como eram os teatros propriamente ditos dando, por isso, informação precisa sobre a cenografia, os trajos de cena, a decoração teatral e o próprio ambiente da época a que se reportam. Existia mesmo uma revista francesa especializada nestas publicações chamada “Mon Théatre”, que periodicamente editava novos cenários e novas personagens, aumentando assim o reportório destes teatros de brincar.
Neles se antecedia ou prolongava, em jeito de brincadeira que envolvia a imaginação de toda a família, as excitantes idas ao teatro, verdadeiro acontecimento social e onde, como já foi referido, dos amores trocados ou proibidos à intriga social e política, tudo se passava, muito para além do próprio espectáculo. “

Foto: Palma

4 comentários a “Teatrinhos de papel

  1. Em boa hora, lhe ofereceram um teatrinho de papel. É assim que, se incute a cultura nas crianças.

    Tenha um Feliz Natal!

  2. Palma; O povo, na sua sabedoria ancestral, tem ditos que se encaixam perfeitamente na nossa vida… Por exemplo; quem sai aos seus não degenera, filho de peixe sabe nadar, de pequenino se torce o destino, etc. etc. Com este e o outro teatrinho de papel que o amigo perdeu, se percebe o seu amor e dedicação pelo teatro… como diz a Luísa foi mesmo em boa hora. Também eu fui encaminhado de pequenino pelo amigo Baptista… Há anos terei feito um esboço para um quadro onde escrevi que; qualquer camponês podia ser um grande sábio se lhe mostrasse-mos o Mundo e a cultura que desconhece… coisas de jovens sonhadores. Um bom Natal Palma, que devia também ser hoje. Inté. L.F.

  3. Luisa: Não há dúvida que os ensinamentos dos nossos pais nos podem despertar para muita coisa.
    Pena ser tudo tão rápido e que tenham já partido…. Desejo-lhe igualmente um Bom Natal e saúde q.b pois é ela o maior de todos os bens. Palma

  4. Luís Furtado:O que nos é transmitido em crianças,seja o bem ou o mal… pode ter grande influência na nossa vida futura. É certo. E ainda bem que você reconhece que o seu grande amigo Baptista o encaminhou para a estrada das artes a que se dedica.
    Como você diz quantos grandes artistas se terão perdido por não terem tido uma mãozinha… que os levasse ao tal caminho.
    Abraço e Boas Festas para toda a família com o o maior de todos os bens. A Saúde. Palma

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