Trilogia de um Louletano

Já aqui trouxemos poesia do louletano Fernando Laginha, homem que durante muitos anos

foi proprietário de uma ourivesaria/relojoaria na Rua das Lojas e que ao longo da vida foi escrevendo poemas que ía guardando na gaveta já que como dizia alguém “…..A poesia terá sido para ele uma actividade discreta, uma como que pobreza envergonhada, talvez julgada por ele como publicidade negativa à sua actividade principal “ .

Há meses descobri um pequeno livro intitulado “Poemas – Fernando Laginha” com edição da sua família e da Junta de Freguesia de S. Sebastião e fiquei agradávelmente surpreendido com o seu conteúdo. Assim, vamos de quando em vez trazendo aqui alguma dessa poesia do Fernando.

Para hoje escolhemos esta……

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TRILOGIA

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Amanhecer da vida ! – … E de criança

logo se enche a alma de ilusão.

É primeiro um boneco de faiança,

Depois é um cavalo de cartão..

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Agora é sol a prumo ! – A vida então

é grito a escorregar sobre bonança

É ânsia de voar ! – Tem-se na mão

as rédeas de um cavalo que não se cansa

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Mas eis que surge o declinar do dia:

Faz-se sol-posto !… A doida fantasia

quedou-se de voar…

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Acorda o coração

Em despertar pungente….e a vida chora

a pressa inútil que se teve outrora

quando sobre corséis de papelão !…

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Loulé 1943

Foto : Palma em dia de Carnaval sentado em cavalinho de cartão junto ao Mercado de Loulé.

14 comentários a “Trilogia de um Louletano

  1. Bela fotografia e bonito poema. Nunca tinha ouvido falar do poeta Fernando Laginha. É uma surpresa. Milla

  2. Esta era das tais fotos retocadas à mão. Ainda vinham longe os tempos da fotografia até no telemóvel. Que passo de gigante foi dado e as gerações mais novas nem se aperceberam ainda disso.

  3. Com o serrilhado à volta, como eram bonitas estas fotos.

    Felizmente que há quem recolha as palavras escritas e ditas, pelos poetas populares. Adorei!

    Continuação de bom domingo

  4. Luisa: Não tenho muitas com o tal serrilhado à volta mas gosto
    bastante das fotos desta época. É verdade que este nosso poeta Fernando Laginha surpreende muita gente que gosta de peosia. Uma boa semana. Palma

  5. Goncinha e e Mila Lembro-me perfeitamente de visitar um fotógrafo conhecido e que lá estava sempre retocando as fotos e dando aquela cor que é tão conhecida nesta época. Abraço Palma

  6. Esta foto está o máximo! … repare-se na altivez do cavaleiro … adornado por um poema do conterrãneo, que tem tudo a ver … amei!
    Uma muito boa semana ao Palma e visitantes.

  7. Cara Liliana: Ainda bem que gostou deste cavaleiro da Távola Arredondada cá do sítio rsss. Naquele tempo haviam estes cavalinhos que faziam inveja aos meninos por os não puderem levar para casa. Uma boa semana também para si ! Abraço

  8. Adoro fotos antigas coloridas à mão. Antes de chegar a revolução da fotografia eram assim as fotos que ornamentavam os móveis das nossas casas. Uma bonita semana são os meus votos. Isabel FF

  9. Lembro-me desse cavalinho normalmente “estacionado” por debaixo do relógio da praça. Nunca me sentei nele. Portanto não tenho a sorte de ter uma foto dessas. Excelente o “marketing” do fotógrafo para atrair clientes! Está ótima a foto. E os versos já que são de um poeta amador mas revelando sensibilidade poética.

  10. Jorge: É mesmo. Este cavalinho esteva normalmente estacionado nesse local que referes. Muita criançada deve ter sido fotografada ao lado ou em cima do cavalinho. Eu fui um deles…… numa distante manhã de Carnaval… Abraço –

  11. Era amigo do Tossan que por sua vez admirava o Aleixo. Tudo gente boa e de gabarito.

  12. A vida em três etapas, bem descrita, por um bom poeta.
    Parabéns.
    fiz recolha para inserir o poema no livro dos poetas do Facebook, da minha autoria, a publicar… Cumprimentos e obrigada.

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