UM POEMA DE VIDRO

Sou de vidro

Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro

Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido

Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita

(Lídia Jorge)

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Fotografia: Lídia Jorge em menina ( Álbum de família da escritora louletana)

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Lembramos que hoje no Convento de Stº António em Loulé,onde decorre uma exposição

de homenagem à escritora , terá lugar um encontro subordinado ao tema “Existe uma Escrita do Sul?” Nesta iniciativa, para além de Lídia Jorge, participam Nuno Júdice, Gastão Cruz e Fernando Cabrita. O encontro terá início pelas 18H00.

6 comentários a “UM POEMA DE VIDRO

  1. Linda menina, linda mulher, linda escritora! Não consegui ir ao Encontro marcado para o Convento pois também não quis deixar de apoiar o candidato Manuel Alegre, uma voz diferente por entre a mediocridade reinante. Nem parece que Lídia e Cavaco sejam da mesma terra. Há um abismo imenso entre eles.
    Maria José

  2. Bela foto da Lídia Jorge. Ainda não visitei a exposição de homenagem dos louletanos à sua grande escritora. Boliqueime à excepção do homem de quem se fala tem dado bons filhos ao concelho. Longa vida para a homenageada.

  3. Naquela altura tiravam-se as fotos nos Estúdios que tinham sempre ou uma coluna para nos encostarmos, um triciclo ou mesmo um cavalinho de pau. Esta foto da Drª Lídia fez-me lembrar uma em que me colocaram em cima de uma floreira e a mesma desmoronou-se antes da fotografia. Outros tempos. Talvez o Snr. Professor Aníbal tenha tirado alguma também em cavalinho de pau. Só que nunca terá esta beleza pura da escritora. Ele ainda hoje tem cara de pau quanto mais no tempo dos cavalinhos. Peter Laurus

  4. Maria José , Zeca e Peter: Se acaso não visitaram a exposição dedicada à escritora louletana, ainda estão a tempo de fazê-lo pois só encerra no final de Março. Palma

  5. Vejo que há aqui pouca simpatia pelo candidato conterraneo de Lidia Jorge. Também é natural, já que o senhor em causa tem demonstrado não ter de modo algum estaleca para o cargo.Se a coisa fosse avaliada só por gente entendida, jamais seria eleito. Quanto à grande escritora de Boliqueime não sou um entendido para puder falar sobre a sua obra. Comecei há pouco a ler a Costa dos Murmurios por ser um tema que me agrada ler. A tal Guerra Colonial que aos poucos se vai fazendo o retrato
    já que Portugal inteiro sofreu muito com ela. Nós mais velhos não esquecemos ainda os sacrificios de gerações de jovens mandados para a frente de batalha como se fossem balas de canhão por esse triste figurante chamado Salazar. As maiores felicidades para a carreira da escritora que tão bonita está nesta foto.

    Domingos

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