Visitámos a última morada de Florbela Espanca

……….. No passado feriado de 5 de Outubro numa rápida viagem pela Beira Baixa e Alto Alentejo não resisti a uma visita ao lugar onde repousa a grande poetisa Florbela Espanca. Trata-se do cemitério de Vila Viçosa e apesar de ter falecido em Matosinhos onde residia, em 1964, um grupo de admiradores de Florbela e o Grupo de Amigos de Vila Viçosa, procedem à trasladação dos restos mortais da poetisa para o cemitério da sua terra natal, julgando assim cumprir uma vontade da mesma. No entanto, alguns anos depois, surge manuscrito um poema seu que manifesta:

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“Eu quero, quando morrer, ser enterrada

Ao pé do Oceano ingénuo e manso,

Que reze à meia-noite em voz magoada,

As orações finais em meu descanso…”

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………… Mostramos assim a muitos dos seus admiradores espalhados pelos quatro cantos do Mundo, onde repousa afinal a mulher que é uma das princesas da poesia portuguesa e que todos os dias continua a conquistar novos admiradores.

Também aqui pode saber algo mais sobre a vida desta poetisa:

http://www.vidaslusofonas.pt/florbela_espanca.htm

………… Foto: Palma – Louletania

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Tarde de mais...

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...
.........................................
Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!
.........................................
Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!
.........................................
E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!...

                             (Florbela Espanca )

16 comentários a “Visitámos a última morada de Florbela Espanca

  1. Para mim é a minha preferida entre os tantos e bons poetas portugueses.
    Boa noite para toda a Louletania.
    Ser Poeta

    Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
    Do que os homens! Morder como quem beija!
    É ser mendigo e dar como quem seja
    Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

    É ter de mil desejos o esplendor
    E não saber sequer que se deseja!
    É ter cá dentro um astro que flameja,
    É ter garras e asas de condor!

    É ter fome, é ter sede de Infinito!
    Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim…
    É condensar o mundo num só grito!

    E é amar-te, assim, perdidamente…
    É seres alma, e sangue, e vida em mim
    E dizê-lo cantando a toda a gente!

    Florbela Espenca

  2. Grandes poetas tem Portugal e admirados no Mundo. Será que os portugueses lhes dão o devido valor ou estão mais entretidos no bota abaixo e no diz que disse ?

  3. Leonor e Zeca na verdade Florbela é das poetisas mais apreciadas cá e fora do país. Pelo menos no Brasil é muito admirada a sua poesia. Um bom resto de semana. Palma

  4. Luis Furtado: Está desvendado o mistério. Afinal o curso de pintura de cenários era outro e também dos bons. Afinal são essas pessoas que nos tratam da saúde quando menos esperamos. Sâo lugares onde mais tarde ou mais cedo todos lá passarão, e na verdade são profissões muito duras. E já tenho observado muitos utentes mal agradecidos que por vezes não têm onde caír mortos e ali exigem este mundo e o outro. Enfim ! Abraço extensivo ao resto do pessoal. Palma

  5. Palma,prefiro sem flores algumas, a artificiais … enfim! se em vida não cuidam os nossos artistas e afins, depois da morte muito menos …
    Nasce a 08 de Dezembro e morre a 08 de Dezembro … fechou o ciclo … de amores e desamores, aliado a algumas infelicidades, graças a a essa vivência deixou-nos a obra que conhecemos e amamos! … valeu a pena … como diria o outro grande … Abraço extensivo à capital

  6. Por acaso reparei nisso. As floritas já estavam com um aspecto pouco digno se bem que familiares se calhar já não terá por Vila Viçosa. … Mas pelo menos, admiradores podiam de vez enquando colocar lá qualquer coisa. Eu não o fiz porque era feriado e estava tudo encerrado… Abraço – Palma

  7. Para fazer companhia às poesias de F. Espanca deixo aqui um poema de um outro sofrido poeta o António Botto.
    Homem, que vens de humanas desventuras,
    que te prendes à vida e te enamoras,
    que tudo sabes e que tudo ignoras,
    vencido herói de todas as loucuras,

    que te debruças pálido nas horas
    das tuas infinitas amarguras,
    e na ambição das coisas mais impuras
    és grande simplesmente quando choras,

    que prometes cumprir e que te esqueces,
    que te dás à virtude e ao pecado,
    que te exaltas e cantas e aborreces,

    arquitecto do sonho e da ilusão,
    ridículo fantoche articulado
    − eu sou teu camarada e teu irmão.

    Alma

  8. O primeiro poema ela escreveu aos sete anos. Nele, pode-se perceber a precocidade de Florbela. Trata-se de “A Vida e a Morte”, que segue-se abaixo:

    A Vida e a Morte
    O que é a vida e a morte
    Aquela infernal inimiga
    A vida é o sorriso
    E a morte da vida a guarida
    A morte tem os desgostos
    A vida tem os felizes
    A cova tem as tristezas
    A vida tem as raízes
    A vida e a morte são
    O sorriso lisonjeiro
    E o amor tem o navio
    E o navio o marinheiro

  9. Luis Furtado: Andando à procura do anuncio da nova Revista encontrei uns comentários misturados com outros e que me faz parecer que as invejas e as dores de cotovelo no meio artístico continuam de e@mail a pior. Ora veja:
    Nao gostei do teu comentário mesquinho no Fotolog do Ricardo Jorge , pois o numero de cartazes que se fazem a mim dizem respeito ! Agradecia que fosse respeitado !

    Estamos em DEMOCRACIA , e se me apetecer mudo de cartaz todos os dias , nao percebo para que foi aquele comentário infeliz de alguém que até tem o nome do seu grupo no cartaz (Grupo gente gira ) que muito agradeço o empréstimo de guarda roupa e cenários …e alguem como tu que diz que ama e defende o Teatro ; Ricardo mais valia estares calado e nao teres dito nada ! Pois uma das grandes virtudes que tenho é Querer sempre o melhor para o Espectáculo e se o melhor passa pelo grafismo dos cartazes eu farei sempre isso nunca critiquei os teus cartazes e muito menos os teus espectáculos pelo que peço um pouco de respeito em relaçao ao cartaz do “Olhó que Chove ” ! Um dia destes falarei contigo melhor porque acho que andam por aqui “arcas encoiradas ” . nada melhor do que a verdade e a arte a cima de tudo

    Saudaçoes Teatrais

  10. O poema escrito aos 7 anos, não é o primeiro, há outros. Este é dedicado à mãe que morre quando ela tem esta idade.
    Não há ninguém da família em V.V. já lá vão muitos anos, até porque, a partir dos 16 anos ela foi viver para Évora (Rua de Avis) quando aí continuou os seus estudos. A família directa (tios e primos) viveram sempre em Évora e Reguengos.

  11. Over the course of the initial period, they began to flrm group identities. daggfadeaefd

  12. Imortal esta poetisa. Que mulher fantástica. Como deve ter sofrido na sua época. Madeleine

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