Viva a República !

Porque sou republicano Sou republicano porque recuso o carácter divino e hereditário do poder, porque sou cidadão e não vassalo, porque abomino o contubérnio entre o trono e o altar e porque um herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa abomina vénias. Sou republicano por me rever nas instituições que o voto popular sufraga e não nas que a tradição impõe. Aceitar os filhos e netos de uma qualquer família, para lhes confiar o poder do Estado, é abdicar do direito de eleger e ser eleito para as funções que dinastias de predestinados confiscavam. Ser republicano é recusar o poder a quem não se submete ao sufrágio universal e secreto e negar o respeito a quem aceita funções de Estado sem legitimidade democrática. Ser republicano é recusar o poder vitalício e exigir a legitimação periódica, para reparar um erro ou substituir um inapto, num horizonte temporal previamente determinado. Não há democracia plena em monarquia nem dignidade nas funções herdadas como se o país fosse uma quinta ou a Pátria uma coutada. A República é o berço da democracia, o lugar da igualdade de género onde desaparecem privilégios de raça, nascimento ou religião, onde se aceitam todas as crenças, descrenças e anti-crenças, onde o livre-pensamento, a laicidade e a liberdade de expressão definem a matriz genética do regime. Ser republicano é servir dedicada e abnegadamente o País sem se servir dos cargos que os eleitores confiam, ser honrado na utilização dos meios, sóbrio no exercício do poder e determinado na defesa do bem comum. Ser republicano é exigir que homens e mulheres gozem de igualdade plena, que a escola pública seja a via para a equidade, a saúde um direito universal e a liberdade a conquista irreversível. Ser republicano é, hoje e sempre, um acto de cidadania que tem a ética como baliza e a Liberdade, Igualdade e Fraternidade como divisa, projecto e ambição. Viva a República.

(Texto de Carlos Esperança in Blog  “Livre e Humano” de Amadeu Carvalho Homem  – Imagem: Cartaz do Centenário – Net)

11 comentários a “Viva a República !

  1. Que belo texto de Carlos Esperança, que não conheço. Cem anos estao passados. Viva então a República.

  2. Palma, se estes são os deveres de um verdadeiro republicano, então confesso que não me revejo nesta republicanice de hoje e como muita boa gente diz, (assino por baixo), isto mais parece uma republica das bananas com cada vez mais encapuçados que juram aos sete ventos de servirem a republica e respeitarem o que acima está escrito… é vê-los hoje com aquele ar de pavão, (que tanto os caracteriza), frente às câmaras da TV. Como não apoio fantochadas, VIVA EU E TODOS AQUELES REPUBLICANOS QUE SE DIGNAM DE DEFENDER UMA VERDADEIRA REPUBLICA. Sem,rsrs. \\\ Vou pintar a assembleia que é tudo menos……….. Inté. L.F.

  3. Caros amigos. Os ideais Republicanos continuam vivos entre a maioria dos portugueses. E isso é muito importante, pois passaram 100 anos de coisas boas e menos boas como acontece na vida de todos nós. Em todas as classes existem os que se interessam pelo próximo e os que se interessam apenas por eles próprios.
    A perfeição não existe pelo menos no homem.
    Para o Luís Furtado pintor de quando a Republica era vilmente violada todos os dias e pintor destes tempos de liberdade, saúde para continuar a fazer o seu trabalho em liberdade rs. Abraço – Palma

  4. Bonito e bem escrito esse texto de um Republicano. “” Sou republicano porque recuso o carácter divino e hereditário do poder, porque sou cidadão e não vassalo, porque abomino o contubérnio entre o trono e o altar e porque um herdeiro do Iluminismo e da Revolução Francesa abomina vénias””
    Maria Margarida

  5. Estão-se esquecendo que o nosso Rei D. Duarte seria a solução para esta e outras crises que já vêm detrás ? A Monarquia é o regime que poderia servir a Portugal acabando com a esquerdalha que há muito tempo apenas tenta fazer algo sem conseguir porque a República é um regime sem ideias Viva o Rei. Viva a Monarquia e todos os Reis do Mundo !
    Visconde

  6. Leiam POR FAVOR: Isto é verdade:
    Os políticos que chegam ao Poder, em democracias, duram pouco tempo nesse lugar. Não só porque as oposições dedicam 120% do seu tempo ao exercício do desgaste, descrédito e desonra dos governantes como a comunicação social, sem excepção, não perde uma oportunidade de explorar o sensacionalismo. O resultado é uma permanente intoxicação, um berreiro, que passa por eficaz fiscalização dos negócios e ócios públicos. Mas é treta – sabes disso, né?

    A invariável postura bélica, as promessas irresponsáveis e o discurso simplista dos opositores contrasta com a consciência da complexidade, dificuldade e insegurança que os governantes deixam transparecer por palavras e actos, silêncios e gestos, a respeito das medidas onde colocam a assinatura. À sua volta têm milhões de concidadãos que desprezam os políticos com intensidade igual à que dedicam a invejar as benesses ocultas que imaginam estarem eles a recolher. O serviço público surge como a prova mesma de algum ganho ilícito passado, presente ou futuro. A injúria estende-se do Primeiro-Ministro ao mais baixo funcionário da Repartição de Finanças, o Estado surge-lhes como o grande coito para os maiores bandidos.

    Quem ganha com este atrofio? A quem interessa a decadência que afasta os cidadãos da cidadania ?

    Lido e copiado do Blog Aspirina B

    Albert Martin

  7. Meus senhores: acabou. Quem tem soluções salvadoras, novas e, se possível, sérias, que as apresente agora. Mas, mais do mesmo, não dá. Ninguém pode acusar este e anteriores governos de não terem tentado até ao limite viver a crédito, mas já não dá mais: fecharam-nos a torneira.

    Miguel Sousa Tavares, Expresso, 2.10.10

  8. Excelente o texto ” Porque sou Republicano”.Vamos manter vivos os nossos ideais. Bernardette

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